05/06/2026
Uma das grandes vantagens de ser autônomo — pelo menos para mim, que valorizo profundamente o meu tempo, o meu trabalho e os meus princípios — é poder escolher com quem caminho e quais parcerias desejo construir.
Ao longo de quase 20 anos de carreira, aprendi que, em certos momentos, é preciso “demitir pessoas” e encerrar ciclos. Não por mágoa ou ressentimento, mas porque algumas relações deixam de estar alinhadas com a filosofia e a ética que norteiam o meu trabalho.
Sempre acreditei que uma boa negociação é aquela em que todos ganham. Minha missão é aproximar pessoas, construir pontes e intermediar acordos em que nenhuma das partes precise obter vantagens indevidas sobre a outra. Dessa forma, todos saem satisfeitos: o vendedor realiza seu objetivo, o comprador conquista o imóvel que sonhou e eu tenho a satisfação de unir essas histórias de forma segura, ética e juridicamente responsável.
Mas nem sempre é possível seguir pelo caminho da boa negociação.
Nem todos compreendem que negociar não se trata de vencer alguém, mas de construir algo que faça sentido para todos os envolvidos. Há quem enxergue a negociação como uma oportunidade de obter vantagem a qualquer custo, ainda que isso represente prejuízo para a outra parte. É justamente nesse ponto que os caminhos começam a se separar.
Quando os princípios deixam de convergir, insistir deixa de ser virtude e passa a ser desgaste. Aprendi que encerrar uma parceria também é uma forma de respeito — respeito ao próprio trabalho, ao tempo investido e aos valores que escolhi não negociar.
Virar a página é necessário. E há algo profundamente libertador em poder tomar essa decisão. Porque, no fim das contas, a verdadeira liberdade não está apenas em escolher com quem trabalhar, mas também em ter a serenidade de seguir em frente quando os valores já não caminham na mesma direção.