06/10/2026
PORTUGAL NÃO PODE CONTINUAR A DISCUTIR FUTEBOL ENQUANTO A VIDA DOS PORTUGUESES F**A PARA SEGUNDO PLANO.
Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus podem ser notícia.
O que não podem é ocupar o debate público como se o futuro do País dependesse de uma declaração, de uma polémica ou de uma discussão sobre futebol.
Há um País real para governar. E há uma comunicação social que tem o dever de o mostrar, questionar e escrutinar.
Quando está em causa o Orçamento do Estado, precisamos de discutir prioridades, escolhas e consequências.
Precisamos de saber como se responde à falta de habitação, como se protege o rendimento das famílias e como se recuperam serviços públicos essenciais.
Precisamos de respostas. Não de mais ruído.
Que resposta se dá a quem trabalha e não consegue comprar uma casa ou suportar uma renda?
Que resposta se dá a quem precisa do automóvel para trabalhar ou levar os filhos à escola e vê o combustível pesar cada vez mais no orçamento familiar?
Que resposta se dá a quem chega ao supermercado e tem de escolher o que deixa para trás?
E as escolas que precisam de obras, de recursos e de uma gestão capaz de responder aos problemas?
E a saúde, onde esperar pode signif**ar perder qualidade de vida?
E a justiça, cuja demora desgasta a confiança dos cidadãos?
A imigração exige políticas sérias de integração, regras claras e capacidade de resposta. A emigração exige que se pergunte por que razão tantos portugueses procuram fora as condições que deveriam poder encontrar no seu próprio País.
Senhores governantes: governar é assumir responsabilidades, estabelecer prioridades e apresentar resultados.
Não basta anunciar medidas.
É preciso dizer quando chegam às pessoas, como serão executadas e quem responde quando falham.
Senhores responsáveis pela comunicação social: informar é também exigir essas respostas.
A audiência não pode ser o único critério para decidir o que merece destaque.
O jornalismo tem uma responsabilidade pública que não se esgota em alimentar polémicas.
Não afirmo que exista uma intenção concertada de desviar atenções.
Afirmo que, quando as futilidades dominam o espaço público, os assuntos essenciais perdem espaço e quem tem de prestar contas f**a menos exposto ao escrutínio.
E nós, cidadãos, também temos responsabilidades.
Sou contra a violência, os desacatos e a destruição.
Mas a indignação pacíf**a, a participação cívica e a exigência democrática são direitos que precisamos de exercer.
Não podemos exigir um País melhor e, ao mesmo tempo, resignar-nos a discutir apenas o resultado do último jogo.
Podemos gostar de futebol e exigir boa governação.
Podemos admirar um jogador e cobrar respostas a um ministro.
Podemos acompanhar o desporto sem deixar que ele ocupe o lugar da nossa consciência cívica.
O que é vergonhoso é normalizarmos as dificuldades de quem trabalha, de quem cuida dos filhos e de quem precisa de serviços públicos, enquanto o debate gira em torno do acessório.
Portugal merece governantes que respondam, uma comunicação social que questione e cidadãos que participem.
A responsabilidade tem nomes, cargos e deveres.
Está na hora de a exigir.
**az **a *P