01/07/2026
Lisboa está entre os mercados imobiliários menos acessíveis da Europa. Mas será que isso significa que estamos perante uma bolha?
Esta é uma das perguntas que mais ouço de quem procura comprar casa ou investir em Portugal.
Os números mostram que o acesso à habitação está cada vez mais difícil. Atualmente, o rácio entre o preço das casas e o rendimento anual das famílias em Lisboa é de 18,7, um dos mais elevados da Europa. Nos últimos dez anos, os preços da habitação aumentaram cerca de 240%, enquanto os salários cresceram apenas **59%**.
São dados que refletem uma realidade preocupante, sobretudo para quem depende do rendimento do trabalho para comprar casa.
No entanto, na minha opinião, estes números não significam necessariamente que o mercado esteja numa bolha imobiliária.
No dia a dia, continuo a ver uma procura consistente por imóveis bem localizados e de qualidade. Ao mesmo tempo, a oferta continua insuficiente para responder às necessidades do mercado. A construção de novas habitações permanece abaixo do necessário, os processos de licenciamento continuam demorados e o interesse de compradores nacionais e internacionais mantém-se elevado.
Por isso, acredito que estamos a entrar numa fase de maior equilíbrio. O crescimento dos preços poderá tornar-se mais moderado, os compradores estão mais exigentes e as decisões são hoje tomadas com maior ponderação. Mas, enquanto a falta de oferta persistir, será difícil assistir a uma descida significativa dos preços.
Cada vez mais, comprar um imóvel deixa de ser apenas uma questão de oportunidade. É uma decisão que exige análise, conhecimento do mercado e uma visão de longo prazo.
E na sua opinião, Lisboa já atingiu o limite da acessibilidade ou a escassez de oferta continuará a sustentar os preços nos próximos anos?