30/07/2026
A redução da taxa de esforço para 45% fará baixar o preço das casas em Portugal?
A partir de 1 de agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda que a taxa de esforço máxima nos novos créditos à habitação passe de 50% para 45%.
O objetivo é reforçar a prudência na concessão de crédito e evitar que as famílias assumam níveis de endividamento difíceis de suportar. Mas esta alteração também poderá produzir efeitos no mercado imobiliário.
Uma família com um rendimento líquido mensal de 2.000 euros podia, considerando apenas este limite, suportar prestações totais até 1.000 euros. Com a nova taxa de esforço, esse valor baixa para 900 euros. Se existirem outros empréstimos — automóvel, pessoal ou cartões de crédito — a capacidade disponível para o crédito à habitação será ainda menor.
Na prática, algumas famílias terão de:
Procurar imóveis mais baratos, aumentar a entrada inicial, liquidar outros créditos, adiar a compra de casa, negociar mais o preço com o proprietário.
Esta redução da capacidade de financiamento poderá retirar alguns compradores do mercado e aumentar o tempo necessário para vender determinados imóveis. Os primeiros a sentir o efeito serão, provavelmente, os imóveis sobreavaliados, com necessidade de obras ou localizados em zonas onde existe maior oferta.
Contudo, não considero provável uma descida generalizada e acentuada dos preços.
Portugal continua a enfrentar uma escassez estrutural de habitação, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, na Margem Sul e no Algarve. Além disso, uma parte da procura é constituída por investidores, compradores estrangeiros ou famílias com capitais próprios elevados, menos dependentes do crédito bancário.
O efeito mais provável será, por isso, uma moderação do ritmo de subida dos preços, acompanhada por:
- Maior margem de negociação;
- Redução da diferença entre o preço anunciado e o preço de venda;
- Maior tempo de permanência dos imóveis no mercado;
- Correções nos imóveis cujo preço não corresponde à localização, qualidade ou estado de conservação.
Em resumo, a nova taxa de esforço poderá arrefecer a procura financiada por crédito, mas não resolve o principal problema do mercado: a falta de oferta.
Menos capacidade de endividamento pode travar os preços, mas só o aumento da oferta poderá melhorar, de forma duradoura, o acesso à habitação.