24/07/2025
Taxa de esforço na habitação em Portugal
A taxa de esforço na habitação atinge máximos históricos, dificultando o acesso à casa para milhares de famílias em várias regiões do país.A taxa de esforço na habitação tornou-se um dos principais indicadores para avaliar a acessibilidade à habitação em Portugal. Refere-se à percentagem do rendimento mensal líquido de um agregado familiar que é consumida pelo pagamento da renda ou prestação da casa. Quando este valor ultrapassa certos limites, compromete-se o equilíbrio financeiro das famílias e agrava-se a exclusão do mercado habitacional.
Tradicionalmente, recomenda-se que a taxa de esforço não ultrapasse os 30% a 35% do rendimento mensal. No entanto, em Portugal, este valor tem vindo a ser largamente ultrapassado. Em muitos casos, especialmente em zonas urbanas, o esforço necessário para garantir um teto ronda os 50% ou mais. A conjugação de rendas em alta, salários estagnados e uma oferta limitada de imóveis acessíveis tem intensificado esta realidade, colocando pressão sobre os orçamentos familiares.
Em 2024, a taxa média de esforço para arrendar uma casa atingiu níveis inéditos, situando-se nos 83% a nível nacional. Em cidades como Lisboa, Funchal e Porto, os valores ultrapassam os 90%, dificultando seriamente o acesso à habitação. Estes números mostram um desfasamento cada vez mais acentuado entre os rendimentos e os custos habitacionais, comprometendo não só a estabilidade económica como também o bem-estar das famílias.
As assimetrias regionais são também relevantes. Nas cidades do interior como Bragança, Beja e Portalegre, a taxa de esforço situa-se abaixo dos 35%, o que permite uma maior margem de manobra orçamental. Contudo, a maioria das oportunidades de trabalho e serviços está concentrada nas áreas metropolitanas, onde os preços das casas são mais elevados, empurrando muitas famílias para zonas periféricas ou obrigando à partilha de habitação.
As consequências de uma taxa de esforço na habitação demasiado elevada são múltiplas. Desde o sobre-endividamento até à exclusão habitacional, passando pela redução do consumo noutras áreas essenciais, este indicador afeta a qualidade de vida e limita as perspetivas de mobilidade social. Jovens adultos e famílias com filhos pequenos são especialmente vulneráveis, muitas vezes sem acesso ao mercado de arrendamento ou à compra de casa própria.
Face a esta realidade, o Governo português tem implementado alguns mecanismos de apoio, como o subsídio extraordinário à renda para agregados com uma taxa de esforço superior a 35%, programas como o Porta 65 ou o incentivo ao arrendamento acessível. No entanto, os resultados continuam aquém do necessário para inverter a tendência. A escassez de habitação a preços controlados e a lenta resposta do mercado mantêm a pressão sobre os rendimentos familiares.
Para combater de forma eficaz o problema da taxa de esforço elevada, é essencial promover políticas estruturais que envolvam a construção e reabilitação de imóveis para arrendamento acessível, o reforço dos apoios sociais e a atualização dos salários em linha com o custo de vida. A intervenção coordenada entre o Estado, autarquias e setor privado é vital para garantir que o direito à habitação seja uma realidade para todos.
A taxa de esforço na habitação continuará a ser, nos próximos anos, um dos principais desafios sociais em Portugal. A sua monitorização, bem como a adoção de políticas públicas eficazes, são fundamentais para garantir condições de vida dignas às famílias portuguesas e assegurar um futuro mais justo e equilibrado no acesso à habitação.
Fonte: https://casa.sapo.pt/noticias/taxa-de-esforco-na-habitacao-em-portugal/?id=33735&utm_source=newslettercasasapo&utm_medium=email&utm_campaign=20250723