03/10/2026
HÁ COISAS QUE NÃO SE COMPRAM.
Um dia, talvez a minha filha olhe para esta fotografia e não se lembre do lugar onde estávamos.
Talvez nem se lembre do que estávamos a celebrar.
Mas espero, do fundo do coração, que se lembre de como se sentia quando estava connosco.
Porque a vida passa.
Passa enquanto trabalhamos.
Enquanto fazemos planos.
Enquanto tentamos chegar mais longe.
Enquanto pensamos que ainda temos muito tempo.
E, de repente, percebemos que o tempo não estava à nossa espera.
Nesta fotografia estão três gerações.
A mulher que me deu a vida.
O homem que estou a tentar ser.
E a menina que me dá vontade de ser ainda melhor.
E talvez seja isto a verdadeira riqueza:
Ter alguém para agradecer.
Ter alguém para proteger.
Ter alguém para ensinar.
Ter alguém para abraçar.
Ter uma mãe que ainda podemos abraçar.
Ter uma filha que ainda podemos pegar pela mão.
Ter a oportunidade de criar memórias que, daqui a muitos anos, serão tudo o que nos resta daquele momento.
Porque as coisas passam.
As casas mudam.
Os carros envelhecem.
Os dias tornam-se memórias.
Mas há abraços que ficam para sempre.
E se há alguma coisa que quero deixar para a minha filha, não é apenas aquilo que conseguir construir.
É a memória de um pai que esteve presente.
Que amou.
Que lutou.
Que caiu e se levantou.
Que tentou dar-lhe o melhor de si.
E que, no meio de toda a correria da vida, nunca se esqueceu do que realmente importava.
Hoje olho para esta fotografia e só consigo pensar numa coisa:
Se isto não é ter tudo, então eu não sei o que é. ❤️