04/08/2026
O maior investidor de Minas. TERESÓPOLIS E IMBIRUÇU JÁ PERTECERAM AO DONO DE BH
Chamado por alguns de “empresário do século” e por outros de “gângster”, Antônio Luciano Pereira, foi um dos personagens mais controversos da história de Minas Gerais. Médico de formação, abandonou a profissão ainda jovem para construir um império que o transformaria em um dos homens mais ricos do estado e lhe renderia o apelido de “dono de Belo Horizonte”.
Nascido em São Gotardo (MG), em 1913, formou-se em Medicina em Belo Horizonte, em 1935. Aos 26 anos, deixou o consultório para dedicar-se aos negócios. Ainda na faculdade, emprestava dinheiro aos colegas cobrando juros, atividade que marcou o início de sua trajetória empresarial.
Nas décadas seguintes, construiu um império formado por banco, usinas de açúcar e álcool, hotéis de luxo, aproximadamente 300 fazendas, além de controlar praticamente todas as salas de cinema de Belo Horizonte, incluindo o tradicional Cine Brasil.
Em Lagoa da Prata, sua usina deu origem à Vila Luciânia, construída para abrigar cerca de dois mil funcionários. A comunidade possuía até uma moeda própria, o boró, utilizada no comércio local.
Na capital mineira, Antônio Luciano tornou-se um dos maiores proprietários de imóveis urbanos do país. Com aproximadamente 80 mil lotes, participou da formação de diversos bairros, entre eles o Dona Clara, batizado em homenagem à esposa. Foi essa concentração de patrimônio que lhe rendeu o apelido de “dono de BH”.
Sua influência extrapolou os negócios. Em 1962, elegeu-se deputado federal pela Arena, partido que apoiava o regime militar. Em 1969, entretanto, teve os direitos políticos cassados por dez anos com base no AI-5.
Historiadores e jornalistas afirmam que seu poder alcançava a política, a mídia e setores da administração pública. O jornalista José Maria Rabêlo chegou a defini-lo como “um gângster”, descrição que ajudou a consolidar sua imagem controversa.
A vida pessoal também foi marcada por polêmicas. Embora em entrevistas reconhecesse apenas os três filhos do casamento oficial, o inventário revelou 30 filhos, de 23 mulheres diferentes. O patrimônio deu origem a uma das maiores disputas da história.