16/08/2026
A lua minguava-me numa translação desencontrada de silêncio e o chuveiro replicou alguma chuva, um concerto de águas, distante de você. Quantas luas, menina? Quantas luas e quanto sol faz de dentro desse buraco? Nuvem e só. Um nevoeiro anuviado, impenetrável.
Vá dormir, menina, logo a lua é cheia e você não vê. Toma nota mais uma vez e outra, a arrogância não lhe cabe, eu entendi.
Aprendi, tudo bem assim?
Eu entendi mais uma lua e agora é dia. O céu está limpo, azul, aqui da minha janela, e não da sua, e você não me deixa entrar.
Deixe-me quieta, eu estava quieta lá com minhas reticências e plantas que pendem, eu disse vezes tantas. A Flor e a lua também. Talvez você seja caminho, menina, e eu careço meio, fim, seja o fim que finde ou não me comece, não me penetre.
A lua minguava-me, mas eu só vi estrela enquanto vestia branco.
- LM
A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.”