02/08/2026
Hoje fiquei refletindo sobre o mercado imobiliário e sobre a forma como as relações profissionais são construídas.
Em muitos países, quando alguém decide comprar um imóvel, escolhe um profissional para conduzir toda a busca. Existe uma relação de confiança. O corretor passa a conhecer as necessidades do cliente, procura imóveis compatíveis com o seu perfil e o acompanha até a decisão final.
No Brasil, a realidade costuma ser diferente.
Anunciamos um imóvel, investimos tempo, dinheiro e dedicação para atender um cliente. Muitas vezes fazemos visitas, estudamos possibilidades, pesquisamos outras opções e tentamos compreender exatamente o que aquela pessoa procura.
Mas, se o primeiro imóvel não atende às expectativas, é comum que o cliente simplesmente desapareça.
Sem uma mensagem.
Sem um retorno.
Sem sequer dizer que decidiu continuar a busca por outro caminho.
Enquanto pensava nisso, percebi que a minha reflexão não era exatamente sobre o mercado imobiliário.
Era sobre consideração.
Será que, quando contratamos um serviço, conseguimos enxergar a pessoa que existe por trás daquela profissão?
Porque todo atendimento carrega algo que nem sempre aparece.
Existe tempo investido.
Existe preparo.
Existe deslocamento.
Existe expectativa.
Existe dedicação.
Não estou dizendo que um cliente seja obrigado a comprar um imóvel ou permanecer com um profissional até o fim.
A escolha sempre será dele.
Mas talvez exista uma diferença entre exercer esse direito e simplesmente ignorar quem dedicou parte do seu tempo para ajudá-lo.
Curiosamente, também me lembrei de todos os clientes que permaneceram comigo durante toda a jornada.
Clientes que confiaram no meu trabalho, que foram transparentes comigo e que me permitiram acompanhá-los até encontrarmos o imóvel ideal.
Essas experiências me fizeram perceber que ainda existem relações construídas sobre respeito e confiança.