20/02/2021
Na corrida pela economia familiar e sustentabilidade, que está em voga nos tempos atuais, o consumo colaborativo ou economia colaborativa se reveste de um bom recurso para realizar a troca, empréstimo ou compartilhamento comunitário de bens.
Esta modalidade vem ganhando força ao redor do mundo, inclusive foram criados aplicativos para facilitar o acesso entre as pessoas, como o “Fleety”; “DogHero”; “Tem Açúcar”; “Enjoei”. Mas por que não aplicar tal modelo nos Condomínios????? Um local que alcança centenas de moradores.
Muitos condôminos podem aderir a esta tendência socioeconômica, que ganhou proporções pela internet, mas é uma realidade muito próxima de nós, podendo fazer parte da nossa rotina, do nosso dia-a-dia, além de cada morador contribuir para um mundo mais sustentável.
Em pequenas linhas, é possível explicar o consumo colaborativo como um sistema de compartilhamento de recursos, troca ou até doação. Em vez de fazer a aquisição de produtos novos, por que não utilizar o consumo colaborativo entre os moradores?? Um exemplo que sempre utilizo é a compra de uma furadeira, um produto que muita gente adquire e utiliza em uma única ocasião. Contudo, não faz sentido cada morador comprar uma furadeira, ficando 200 furadeiras no condomínio, uma em cada casa, se é possível ter apenas um produto à disposição de todos os moradores. Corroborando, essa colaboração também poderá ocorrer em diversas áreas, como alimentos, livros, doação de roupas em desuso, móveis e outros modelos de colaboração por parte dos vizinhos.
Uma pequena sugestão é o condomínio ter um espaço reservado com várias ferramentas, escada, corda, furadeira, produtos úteis para o dia-a-dia de uma casa, vislumbrando o “empréstimo” temporário aos moradores, semelhante ao carrinho de compra??? Trata-se de uma ótima alternativa para aplicar a economia colaborativa entre os condôminos.
Em tempos do fenômeno do hiperconsumo e capitalismo avançado, em que as pessoas optam em comprar um produto, mesmo sabendo que ele será utilizado uma única vez, ou as vezes ficará guardado sem uso, o consumo colaborativo pode ser uma opção benéfica para promover o acesso à propriedade compartilhada de um bem, reduzindo o desperdício, levando economia, otimizando os espaços dentro das casas, colaborando com o meio ambiente e, ainda, uma forma de se conectar com os vizinhos. Resumindo, mais do que uma tendência, é uma necessidade para nossas futuras gerações, conforme cristalina exposição do livro “O Que é Meu é Seu”, de Rachel Botsman.
Entre os vizinhos do Condomínio, a economia colaborativa pode ser definida como iniciativas baseadas em redes horizontais e participação ativa de uma comunidade, considerando um ponto de extrema evolução na sociedade do Século XXI, com um pensamento macro para gastar menos e fazer mais pelo mundo.
Após pesquisar sobre o tema, constatei que não há estatística de aplicação desta modalidade colaborativa em condomínios, embora já visualizo alguns movimentos informais tímidos entre vizinhos, utilizando especialmente o WhatsApp. Entretanto, resolvi expor o assunto para chamar atenção da importância desta modalidade de consumo sustentável nos condomínios, para fazer a diferença na nossa realidade atual e para o futuro, quebrando barreiras no cotidiano brasileiro.
Que tal sugerir o consumo colaborativo no seu condomínio???? É o início de uma significativa economia aos moradores; o fortalecimento social entre os vizinhos; e, no final, o planeta agradece!!!!!
(*) HIGOR FEITOZA PEREIRA é Advogado em Mato Grosso. Pós-Graduado em Direito Imobiliário; Direito Público; e, Planejamento Tributário. É síndico profissional e membro da comissão de Direito Condominial da OAB/MT.