26/05/2020
Para o especialista em inovação Arthur Igreja, pandemia tirou empresas do estado de negação sobre as mudanças que estão em curso e foram aceleradas
Em tempos de isolamento social por causa da pandemia da Covid-19, as tecnologias assumem o papel de protagonistas na busca por soluções para as situações inéditas vivenciadas pelos negócios. “Se a pandemia tivesse acontecido há 20 anos, estaríamos completamente paralisados”, afirma o engenheiro mecatrônico Arthur Igreja, ao destacar a importância da tecnologia e da inovação neste momento de crise.
Especialista em inovação, Igreja diz que a tecnologia e a inovação têm ajudado a mitigar os impactos da crise ao permitir a manutenção das atividades e oferecer alternativas aos modelos tradicionais de negócios. “Quem estava mais bem posicionado em relação à tecnologia, está mantendo as atividades. Ninguém imaginava algo desta magnitude, mas é o cenário atual e precisamos buscar novos caminhos”.
Bancos e consultorias revisaram para baixo as projeções do PIB brasileiro de 2020 por causa da pandemia. Caminhamos para um cenário de recessão econômica?
A China registrou a maior queda em 30 anos e os Estados Unidos teve mais de 4% de contração no primeiro trimestre. E lembrando que até fevereiro as coisas funcionaram razoavelmente dentro do normal. A perspectiva para o segundo trimestre é ainda pior. No Brasil o efeito só está um pouco retardado porque começamos a parar na metade de março. O primeiro trimestre das empresas será quase normal, a paulada virá no segundo. E o Brasil já vinha numa marcha lenta. O Paraná está mais protegido por causa do agronegócio, mas a recessão é certa e inevitável.
Empresas tiveram que se reinventar em dias. Dá para tirar alguma lição positiva destes dias difíceis?
Quase todo mundo sabia quais eram as tendências, mas muitos relutavam em acreditar que elas estavam realmente acontecendo. Diziam: ‘não é tão rápido, isso não é no Brasil ou na minha região’. E agora ficou gritante e explícito que quem está mais digital e acreditou nestas tendências, se salvou. Agora não tem mais desculpa para não inovar em determinados aspectos do negócio, não se mexer. Acho que isso é bom porque tira as pessoas de um estado de negação.
O e-commerce f**a fortalecido ou a tendência é que pós-pandemia o consumidor se volte para a experiência de consumo?
O e-commerce ocupava algo entre 4% e 7% do varejo tradicional e movimentava cerca de R$ 75 bilhões. Agora temos cerca de 40% de novos compradores na internet, gente que nunca tinha comprado online. Este é um hábito que veio para f**ar. Teremos uma economia muito mais digital durante e na saída disso tudo.
A crise traz oportunidades. Esta é uma frase comum nos períodos de crise econômica. Se aplica neste momento?
A crise não traz oportunidades, traz problemas. As pessoas criam oportunidades, e claro que isso está acontecendo. Temos setores que estão crescendo. Tem empresa exportadora que vai se beneficiar, assim como empresas digitais que têm a ferramenta certa e necessária neste momento. Vai ter muito modelo de negócio que será criado agora. Se existe uma certeza é que, historicamente, uma grande geração de empreendedores e novos modelos de negócio surgem por causa de uma ruptura. Ruptura porque as pessoas precisam colocar em prática toda sua criatividade e inovação, e os consumidores estão abertos a novos hábitos e dispostos a provar soluções.
Com Associação Comercial de Maringá-Pr