29/03/2022
PING PONG PORTAL JEQUIÉ NOTÍCIAS com Carolina Moraes, presidente da APLB (Sindicato dos Professores da Bahia); Luzinete dos Santos, Presidente da AJECE (Associação Jequieense de Cegos); Dickson Magno, Presidente CCJ (Conselho Comunitário de Jequié); Guadalupe de Macedo, Presidente ROTARY CLUB e Venicio Lucena, Presidente do SINSERV (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jequié)
JN: Bibliotecas Públicas exercem a função de proporcionar o desenvolvimento intelectual, proliferar o conhecimento e preservar a cultura local. Qual a opinião da entidade sobre a venda, já anunciada pelo Gestor Municipal de Jequié, do prédio da Biblioteca Newton Pinto de Araújo?
Carolina Moraes, Presidente APLB:
A APLB-Sindicato de Jequié considera a Biblioteca Central Dr. Newton Pinto de Araújo como um espaço estratégico para albergar e acolher os jovens do nosso município no suporte da pesquisa, saber, formação pessoal e profissional. Além disso, considera também que não é aconselhável se desfazer de tão valioso imóvel, pois após a crise sanitária e fiscal que atravessa o País e consequentemente os municípios, a aquisição de outro imóvel como o da Biblioteca Central - no centro da cidade - com as suas características, será impossível por parte dos futuros gestores municipais.
Defendemos que haja o esforço para que o espaço da Biblioteca Central seja considerado um patrimônio público do Município de Jequié e que tenha o investimento público necessário para a conservação que esse espaço merece. É preciso considerá-lo como um bem valoroso para os cidadãos jequieenses e, assim, requalificá-lo e modernizá-lo, pois estamos tratando do futuro dos nossos muitos jovens e estudantes.
No Egito, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos Remédios da Alma''. De fato "é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras" já dizia Jacques Bossuet.
Não existe nada de errado em vender um prédio que não é um patrimônio histórico. Este prédio que já foi o Supermercado Super Lar e se tornou em gestões anteriores uma Biblioteca Municipal resultando em educação, conhecimento e cultura a nossa cidade. Fomos pegos de surpresa com a proposta de venda desse local pela atual gestão municipal, sem nenhuma sensibilidade para apresentar um novo projeto que viabilize uma nova biblioteca, modernizada, onde as pessoas possam parar para tomar um café e fazer boas leituras, e com acessibilidade para contemplar todos os públicos, incluindo a pessoa com deficiência. Importante destacar que o jovem estudante ficará navegando à deriva na Internet a procura de documentos importantes ou fontes confiáveis para amparar seus estudos. Triste realidade. É trágico para uma cidade não ter um local que guarde as memórias e os documentos históricos que certificam sua identidade e sua riqueza cultural.
O poeta jequieense Luiz Cotrim disse uma vez: "Todo homem é portador de grandes sonhos. O meu sempre foi ser homem de letra". Como o jovem estudante poderá sonhar se ele ou ela não tiver uma biblioteca para pesquisar? E aqui vem o meu repúdio ao descaso, o fechar dos olhos da Prefeitura Municipal de Jequié por não amparar a nossa biblioteca em outro local.
Luzinete dos Santos, Presidente AJECE:
O nosso município não pode ficar sem uma biblioteca pública, portanto é preciso criar políticas públicas voltadas a essas questões. Nós precisamos da nossa biblioteca!
Dickson Magno, Presidente CCJ:
O conselho comunitário de Jequié (CCJ), principalmente devido a pandemia, nos últimos dois anos ficou sem realizar reuniões e, por consequência, sem realizar discussões. Desse modo acredito ser mais adequado fazer considerações sobre o tema da pergunta baseadas em minhas convicções pessoais de acordo com minha experiência na área da educação e de conselheiro do CCJ. Creio que tais considerações se coadunam com a opinião de grande parte dos membros desse importante conselho jequieense.
Tal qual ocorre com templos religiosos, importantes locais para fomentar e disseminar o desenvolvimento religioso-espiritual de uma comunidade/bairro ou uma cidade/município, as bibliotecas, templos do conhecimento, são de suma importância para fomentar a educação, a formação profissional, a história e a cultura nos mesmo locais/ambientes supracitados.
Assim como num município temos diversos templos religiosos, desde os mais simples e mais periféricos aos mais imponentes, virtuosos e em localização privilegiada, devemos ter bibliotecas da periferia até o centro, das mais simples as mais estruturadas, amplas e bem localizadas. O mesmo vale para infraestrutura de saúde, de segurança ou de logística, entre outras.
Educação e cultura são valores extremamente importantes para um indivíduo, uma comunidade, um município, uma nação. Devem sempre ser priorizados e valorizados, para isso carece de templos, dentre eles e particularmente, bibliotecas, as quais cumprem melhor seu papel se bem estruturadas, com amplo alcance, com privilégio de localização e, principalmente as centrais, também virtuosas. A virtuosidade no sentido de serem um tributo ao conhecimento, à sapiência.
Sou veementemente contra a venda da Biblioteca Newton Pinto de Araújo. Sou testemunha do grande serviço por ela prestado aos estudantes jequieenses, quando em funcionamento regular. Estou ciente que ela poderia prestar um serviço muito maior e melhor, pois, embora sua estrutura física outrora estivesse bem cuidada, sempre lhe faltou quantidade, diversidade, atualização de títulos físicos e acesso a amplo e adequado a bibliotecas virtuais. Sou a favor de uma grande reforma e atualização física e, sobretudo, de conteúdo desse grande patrimônio jequieense. Entendo que existem recursos para isso, tanto oriundos de entes públicos, muitos deles a fundo perdido, quando oriundos de entes privados nacionais ou, até mesmo, internacionais. Faço um apelo para nosso gestor municipal e para seus secretários no sentido de deixar de lado, caso ainda exista, a ideia de vender a biblioteca central, ao invés disso, sugiro adotar a ação de realizar uma ampla reforma e completa estruturação da mesma.
Guadalupe de Macedo, Presidente ROTARY CLUB:
A venda da biblioteca é apenas uma das questões. Podemos responder sua pergunta com outra pergunta, já que a esse respeito a principal preocupação do Rotary Club de Jequié é saber para onde será levado o acervo existente? Como entidade cívica nos compete destacar a importância de espaços como esse para a comunidade. Então nos perguntamos: O que será feito com esse acervo? Essa pergunta tem resposta? O prédio é vendido e já existe o local para o acervo? Saber onde será colocado o acervo para que o mesmo seja disponibilizado ao público deve ser o primeiro passo. A disponibilização do mesmo não deve ser resolvido a longo prazo, mas de imediato, só assim de fato cumprirá a sua função.
Bibliotecas sejam elas públicas, privadas, universitárias ou escolares são de relevante importância em uma comunidade. Criadas para conter e difundir informação para todo tipo de público e proporcionar o desenvolvimento intelectual, preservar a memória e cultura local, independentemente do tamanho de seus espaços físicos, elas são importantes para o desenvolvimento regional. Representam espaços de inclusão, principalmente no momento em que vivemos, no qual a informação é de todos. Foi-se a época, graças a Deus, que a informação era de uns e não de todos. É necessário que se entenda que biblioteca é um ambiente que conecta e transforma pessoas, onde há a construção do conhecimento e sua disseminação, englobando o conceito de cidadania e o desenvolvimento social e cultural. Esperemos que para as nossas perguntas existam respostas porque bibliotecas não se fecham!
Venicio Lucena, Presidente SINSERV:
A direção do SINSERV entende a tentativa de vender a Biblioteca como uma iniciativa precipitada da gestão municipal, pois não foi feito o diálogo com a sociedade de Jequié, já que nenhuma construção feita de maneira correta sem o amplo debate pode ser aceita. A importância de se criar novos espaços culturais é de fundamental relevância e até o momento o que foi passado pela gestão é que a venda do imóvel não tem garantia de que continuaremos a ter uma biblioteca no nosso município.
Pensamos que ao invés da venda do imóvel poderia ser criar mais espaços de conhecimentos não só no centro da cidade, mas nos diversos bairros da cidade. Toda decisão tomada de maneira unilateral provoca a quem exercita o estado democrático de direito, um sentimento de que a gestão municipal, juntamente com o legislativo municipal, age de maneira ditatorial. Portanto, a direção do SINSERV se posiciona contrário neste relevante tema.