22/08/2026
Nos últimos dias, bastava abrir os jornais do setor para se deparar com a mesma manchete em tom de ressalva: João Pessoa encerrou o segundo trimestre com mais de 7 mil imóveis em estoque, superando cidades como Salvador e Recife. Para muitos analistas, acendeu-se um sinal amarelo.
No entanto, precisamos enxergar esse dado por uma perspectiva diferente.
O que chamam de "estoque elevado", eu chamo de vigor de um mercado que definitivamente trocou a promessa pela realidade. Uma cidade cujo metro quadrado saldou de R$ 4,5 mil para a casa dos R$ 8 mil em poucos anos não está em crise; está em transição de patamar. Ter opções no portfólio em uma capital que virou o destino mais desejado do Nordeste não é um problema — é um sintoma natural de quem cresceu muito e rápido.
O verdadeiro ponto da questão não é quanto temos em estoque, mas o que estamos oferecendo e para quem.
Esse volume de unidades disponíveis não deve nos assustar, mas sim nos obrigar a amadurecer. O estoque atual é um indicador saudável porque funciona como um filtro natural. Ele nos avisa que a régua subiu. Hoje, o comprador de João Pessoa — seja o morador local ou o investidor de fora — está mais exigente. Ele não compra apenas metro quadrado; compra momento de vida.
Por isso, o desafio das incorporadoras para os próximos anos não é "parar de lançar" com medo dos números, mas sim exercitar um olhar muito mais aguçado.
- Felipe Muniz