20/12/2016
Estamos na semana de natal!
Acreditando que a melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações, escolhi como presente para cada um que curtiu, comentou ou visitou minha página, um trecho de uma carta escrita na Suíça, em 28 de dezembro de 1946.
A carta escrita por Clarice Lispector para a irmã Tania Kaufmann, descreve a surpresa feita pela empregada, Rosa, no Natal.
Desejo que o teor da carta resulte em grandes e profundas reflexões sobre a vida, a simplicidade, os gestos e o amor as pessoas.
“Eu vi que Rosa estava em preparativos misteriosos e ajudei a não quebrar o mistério para não desiludi-la: pensei que ela estava preparando um bolo. De tarde saímos, e quando voltamos, de repente ouvimos o som de sininhos e Rosa chamando. Fomos à sala de jantar e deparamos com o seguinte: Rosa pálida de emoção numa sala só iluminada por velinhas... diante de uma grande árvore de Natal, coberta de luzes, de passarinhos de celulóide, de bolas brilhantes. Fiquei tão emocionada que nem podia falar. Rosa pensou que era por causa da árvore e não adivinhou que era por causa dela. Ela tinha pendurado nos ramos da árvore aquelas estrelinhas de S. João e tinha aceso todas: de modo que encontramos uma verdadeira féerie. Embaixo da árvore estavam os presentes embrulhados: biscoitos que ela tinha feito, um chocolate, um quebra-nozes, uma caixinha de madeira imitando baú antigo e... doze guardanapos de linho (ela tinha um linho antigo que lhe tinham dado) bordados por ela, de noite. E no centro da mesa um bolo com uma velinha no meio, acesa. E a luz elétrica apagada. Resultado: eu não podia engolir a comida, e depois que ela finalmente foi embora para casa (porque a presença dela nos deixava emocionados e constrangidos), depois que ela foi embora fiquei tão nervosa que minhas pernas tremiam... (no aniversário dela dei um par de meias e pó-de-arroz; e nas vésperas de Natal, calças de lã, como ela pedira. E como eu não sabia como agradecer as delicadas intenções dela de nos dar alegria, dei na hora um potinho de creme, porque ela é muito vaidosa, e como diz, toda noite antes de dormir 'engordura' o rosto...). [...] Enfim, a árvore linda e iluminada, que para mim ficou como símbolo da bondade humana, está toda pobrezinha no sótão da casa, cheia de velinhas, tendo em cada ramo o coração de Rosa”.
Feliz Natal!