21/09/2026
Cinco mulheres acabam por se dirigir a um mesmo local, um jardim em Karaj- uma alegoria, um refúgio fantasioso, ou um lugar onde podem, de fato, encontrarem a si mesmas?- à época do golpe de Estado, nos anos 50. Seja por fuga, por devaneios, por propósito, por busca de outra existência. Conhecendo separadamente as histórias de cada uma, que acabam por se entrelaçar.
Quase 40 anos depois de ser lançado, ainda serve como um livro atual- infelizmente, por algumas razões.
Mas há o encanamento de ler o misticismo, o folclore e o realismo mágico iraniano.
Encontrei o Brasil no Irã no fervor religioso, nas lendas, nas superstições, nos dogmas. Na intensidade do querer, do desejar, do sonhar. Na relevância, no legado, no peso da culinária e outros costumes.
E também vi, ouvi e senti as mulheres de todo o mundo, nessa leitura. E essa é daquelas singulares, diferentes, nada que se encaixe em rótulos, ou parâmetros de experiência.
E, as nossas vidas não são para serem sem os homens. Não é para bani-los. Mas, o que precisamos, merecemos e sonhamos, é viver. Com nossos próprios critérios, anseios e ideias de bem estar e felicidade.
Vale lembrar que esse livro foi proibido no país e a autora, Shahrnush Parsipur foi presa e desde então perseguida por falar sobre os desejos femininos.