14/06/2018
A História do Bairro de Icaraí
Icaraí é um bairro nobre localizado no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, predominantemente de classe média alta, sendo sua renda per capita mais alta que a média nacional. É um bairro de características residenciais, tendo sofrido, no último quarto do século XX, um incremento acelerado do índice de concentração populacional.
No início do século XVI, a área que hoje corresponde ao bairro fazia parte do território dos índios tupinambás. Com a derrota destes perante os portugueses e seus aliados temiminós em 1567, a região, sob o nome de Freguesia de São João de Carahy, foi doada ao chefe temiminó, Arariboia, em 1568, como parte da Sesmaria dos Índios.
No século XIX, a região integrou-se à recém-criada Vila Real da Praia Grande, que mudaria seu nome para Niterói em 1834. A sua praia constituía-se, à época, em um extenso areal, margeado por pitangueiras, cajueiros, cactos e vegetação típica de restinga. O seu efetivo povoamento iniciou-se a partir das décadas de 1840 e de 1850.
Em 1916, foi inaugurado o Hotel Balneário Casino Icarahy. Em 1939, o palacete que abrigava o hotel foi derrubado para a sua substituição por um edifício em estilo Art Déco, em projeto do arquiteto Luiz Fossati. Com a proibição do jogo no país, em 1946, o cassino deixou de funcionar. A partir de 1967, o prédio passou a abrigar a reitoria da Universidade Federal Fluminense.
Em 1937, foi construído um trampolim em concreto armado no meio da praia, com recursos da prefeitura, da imprensa e do Clube de Regatas Icarahy. O trampolim era mais um projeto do arquiteto Luiz Fossati. Durante as décadas de 1930 e 1940, foi construído o Cinema Icaraí, também em estilo Art Déco.
O trampolim da Praia de Icaraí foi dinamitada no final da década de 1960 por oferecer perigo aos banhistas. A partir de então, o bairro conheceu um boom imobiliário, que se consolidou a partir da década de 1970 com a construção e inauguração da Ponte Presidente Costa e Silva. Atualmente, o bairro caracteriza-se pelos prédios luxuosos, de elevado padrão construtivo, erguidos na orla da baía e adjacências.
A origem do bairro remonta à Freguesia de São João de Carahy, parte integrante da Sesmaria dos Índios. Localizavam-se em sua área duas grandes fazendas conhecidas como a Fazenda de Icaraí, cujo dono era Estanislau Teixeira da Mata, e a Fazenda do Cavalão, do Tenente Coronel Antonio José Cardoso Ramalho. O escoamento da produção era feito por mar, através do porto de atracação de Carahy, e por terra até a estrada do Calimbá, em direção à Praia Grande.
No século XIX, a Freguesia integrou-se a recém criada Vila Real da Praia Grande. Nesta época, Icaraí ainda era um vasto areal que se estendia desde o mar até as proximidades da atual rua Santa Rosa. Parte das terras pertencia à Igreja. O mosteiro de São Bento adquiriu no ano de 1698 a área que hoje chamamos de Campo de São Bento, onde fora erigido o Outeiro de São João de Icaraí. Na época, a área era um enorme lodaçal devido à presença do rio Icaraí, atualmente canalizado.
Em 1834, com a criação do município neutro, Nictheroy torna-se capital provincial e é elevada à categoria de cidade. Ainda no século XIX, Icaraí recebe o seu primeiro plano de arruamento, iniciando-se efetivamente o seu povoamento. O Plano Taulois (1840-41) foi idealizado pelo engenheiro francês Pedro Taulois, no governo do Visconde de Uruguai. Consistia no traçado das ruas em forma de xadrez, ou seja, uma malha viária octogonal, com início na praia e término nas proximidades da rua Santa Rosa.
A malha viária facilitou a expansão de Icaraí, que passou a ser conhecida como “Cidade Nova da Praia de Icaraí”. Muitas de suas ruas só foram abertas depois de 1854 e receberam nomes de fatos históricos e de pessoas ilustres. As ruas paralelas à praia receberam os nomes de Vera Cruz, Cabral, Souza, Mem de Sá e Estácio. As perpendiculares foram denominadas: de Constituição, Independência, Aclamação, Sagração, Fundador, Regeneração, dos Legisladores, Cruzeiro, Estrelas, Reconhecimento/Adicional e Santa Bibiana.
Um dado histórico interessante da época foi a construção, em 1864, do asilo Santa Leopoldina que se instalou na antiga rua da Constituição. Nos primeiros anos do séc. XX (1903) o asilo deixou de pertencer ao Estado e passou para a Irmandade de São Vicente de Paulo, em terrenos doados pela viúva Angélica Maria Franco da Fonseca e que hoje representam extensa área do bairro.
A necessidade do arruamento de Icaraí fez desaparecer a bela estrutura rochosa em forma de arco existente na praia, a Pedra de Itapuca original, dinamitada para dar lugar ao cais e a rua que ligou o bairro ao Ingá. Deste período sobreviveram as formações rochosas que vemos ainda hoje neste trecho da praia. A Pedra de Itapuca e também a Pedra do Índio, transformaram-se em símbolos histórico-paisagísticos, não só do bairro, mas também de todo município.
Outro símbolo paisagístico com reconhecimento para além do bairro é o Campo de São Bento. O projeto, de autoria do engenheiro paisagista belga Arséne Puttemans, foi executado pelo prefeito Pereira Ferraz. O local, que já se chamou Parque Prefeito Ferraz, também foi utilizado para adestramento de tropas na época do Império.
No final do século XIX, ficou concluída a obra do Jardim Icaraí, entre as ruas da Constituição e da Independência. Este jardim passou por sucessivas transformações no decorrer de sua história, sendo que no ano de 1940 recebeu o busto do Presidente Getúlio Vargas e passou a denominar-se Praça Getúlio Vargas. Localizado em frente a Praça Getúlio Vargas, no ano de 1932 é inaugurado o Hotel Balneário Casino Icarahy, ocupando o palacete construído em 1916 por Eugen Urban. Este prédio, um dos mais bem planejados de Niterói segundo o padrão Art Déco em voga na época, foi demolido em 1939, dando lugar ao edifício atual, inaugurado pela então primeira-dama Darcy Vargas. O Casino Icarahy funcionou até 30 de abril de 1946, data da proibição do jogo no Brasil.
Fechado o cassino, o prédio foi vendido e passou funcionar como hotel e restaurante. Em 1952, depois de algumas reformas, surge o Teatro Cassino Icaraí. Na década de 60, funcionaram nele o Cine Grill e o Cine Cassino, nos espaços anteriormente ocupados pelo Grill-Room e pelo salão de jogos. Em 1964, o prédio passa a ser propriedade do Ministério da Educação e Cultura, vindo a abrigar a Reitoria da UFF a partir de 1967, um dos mais importantes polos culturais da cidade.
A praia de Icaraí era o grande atrativo da cidade. Em 1936-37, a Prefeitura, a imprensa e o Clube de Regatas Icaraí, construiram em concreto armado um trampolim no meio da praia projetado pelo arquiteto Luis Fossati. O trampolim foi dinamitado no final da década de 60, por conta do seu adiantado estado de deterioração e por oferecer perigo aos banhistas.
No período pós-guerra, com o processo de industrialização pelo qual passava o país, o bairro viu crescer a demanda de habitações para a classe média. Houve, na época, uma migração intramunicipal, sobretudo de moradores da Zona Norte da cidade e migração intermunicipal, principalmente de São Gonçalo e municípios do Norte e Noroeste fluminense.
A construção de edificações multifamiliares foi a solução adotada pelo capital imobiliário para atender a nova classe social imbuída do desejo de morar à beira-mar. O boom imobiliário atravessa décadas e teve como facilitador os financiamentos do Banco Nacional da Habitação (BNH), a partir do final da década de 60.
Na década de setenta, com a construção da Ponte Rio-Niterói, o bairro consolida-se como centro urbano polarizador e de grande importância para a cidade, com forte concentração de comércio, de serviços e de atividades de lazer.
O modelo de ocupação caracterizado pela contínua substituição de casas isoladas e de prédios de poucos pavimentos por grandes edificações, intensifica-se sobretudo a partir da orla, onde o valor da terra atinge altas cifras, diminuindo o valor dos imóveis a medida em que as quadras se afastam da praia. Prédios luxuosos e de alto padrão construtivo, antes erguidos somente no entorno da orla, com o tempo foram tomando conta também do interior do bairro, caracterizando cada vez mais, uma nova expressão da paisagem urbana., onde os prédios de padrão médio e baixo, aos poucos vão desaparecendo.
A beleza de Icaraí sempre serviu de inspiração para pintores, poetas e músicos ao longo da história do bairro.
Fonte:
http://pt.wikipedia.org,
http://ddp-fan.com.br/bairros/icarai.htm