Esse é o desafio da TGD Arquitetura e Engenharia, que anunciou uma obra incomum em um terreno com entradas para a Avenida Independência e ruas Castro Alves e Ramiro Barcelos. O casarão da Independência será preservado. Mais do que isso: passará por processo de revitalização e será transformado em memorial. Construído em 1907, o local foi a residência da família de Henrique Theodor Hermann Theodor
Möller e, há pelo menos 20 anos, vinha sendo alvo de várias incorporadoras. Já conversamos diversas vezes com os herdeiros do casarão e eles lembram com saudades do cheiro das bolachinhas de Natal saindo do forno. "Essa casa ficará cheia de vida novamente", afirma Renato Goldstein, diretor da TGD. Na parte onde havia outros dois casarões, será feito o prédio comercial IN 1183, que oferecerá 150 conjuntos de 37,56m² a 156,10m². O empreendimento contará com foyer, salão de eventos e copa de apoio, estacionamento, sala de treinamento e sala de reunião. A conclusão da obra está prevista para 2019. O palacete da Independência foi o primeiro dos três terrenos adquiridos por por Mathias Möller, enquanto a parte da Castro Alves foi a última a ficar pronta, por volta de 1925. Na época, o local era exclusivo de famílias de altíssimo poder aquisitivo da cidade. Parte do casarão contou em seu projeto com a assessoria do arquiteto alemão Theo Wiedersphan, considerado pela maioria dos especialistas o maior construtor do Rio Grande do Sul em todos os tempos, entre suas obras estão a Faculdade de Medicina da Ufrgs e a Cervejaria Bopp (depois, Brahma). Possui características que somam elementos de casas de chácara e de sobrados urbanos. Enquanto a parte da Independência preserva mais o estilo alemão, na fachada da Castro Alves apresenta um pórtico semicircular que forma uma varanda, bem ao estilo Toscano. As quatro aberturas venezianadas nos dois pavimentos caracterizam uma arquitetura de transição entre o ecletismo e a art decó.