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SOBRE A REFORMA PROTESTANTE  FATO: A Comunidade Morávia de Herrnhut na Saxônia, em 1727, iniciou uma volta do relógio da...
31/10/2024

SOBRE A REFORMA PROTESTANTE

FATO: A Comunidade Morávia de Herrnhut na Saxônia, em 1727, iniciou uma volta do relógio da "vigília de oração" que continuou sem parar por mais de cem anos.

FATO: Em 1791, 65 anos após o início dessa vigília de oração, a pequena comunidade Morávia enviou 300 missionários até os confins da terra.

Será que existe alguma relação entre esses dois fatos? A intercessão fervorosa é um componente básico na evangelização do mundo? A resposta para ambas as perguntas é certamente um incondicional "sim".
Esse impulso da evangelização heroica do século XVIII pelos Morávios não recebeu a atenção que merece. Mas ainda menos anunciado que suas façanhas missionárias é que reunião de oração de cem anos sustentou o fogo do evangelismo.
"Durante mais de cem anos, os membros da Igreja Morávia toda participavam na ‘intercessão de hora em hora’. Em casa e no exterior, em terra e mar, este relógio de oração subiu incessantemente ao Senhor", declarou o historiador A. J. Lewis.

Um dos lemas da Igreja Reformada é “Igreja Reformada, Sempre Reformando.” Essa frase demonstra profunda consciência da fraqueza humana e de dependência do Deus Soberano para que faça a obra continuamente na vida da Sua Igreja. As instituições humanas sempre estão sujeitas a cair, mas a Igreja de Cristo sempre se manterá de pé.

Isso não quer dizer que não venha a sofrer de um esfriamento espiritual. Era exatamente isso que estava acontecendo com as Igrejas Reformadas da Alemanha do sec. XV. Era necessário um avivamento espiritual dentro da ortodoxia morta da Igreja Luterana. Foi com esse objetivo que em 1666, Philip Spener separou um grupo de irmãos da sua igreja para reuniões regulares de estudo bíblico e oração em sua própria casa. Esse foi o marco do início do movimento Pietista na Alemanha. Para Cairns, a influência do pietismo em missões foi muito importante.

Com o avanço do movimento várias iniciativas missionárias foram tomadas que se organizaram em agências de envio de missionários. Todas tiveram sua inspiração no pietismo.

Outro grande nome do pietismo foi August Francke, professor da Universidade de Halle, na Alemanha. Ali ele se esforçou para trazer os alunos de volta à Bíblia e à piedade. Francke definiu o pietismo como “uma vida mudada, uma igreja reavivada, uma nação reformada e um mundo evangelizado”. O resultado disso foi que Halle passou a ser um importante centro do pietismo e também uma prolífera agência missionária. Naquela época vários estudantes da Universidade de Halle partiram como missionários para África, América, Ásia, Ilhas do Pacífico, Índia dentre outros.

Esta universidade trabalhou em parceria com o rei da Dinamarca. Frederico IV decidiu começar uma obra missionária no Oriente e pediu que Halle lhe enviasse missionários. Bartolomeu Zingenbalg e Heinrich Plütschau foram os primeiros obreiros transculturais da Missão Dinamarquesa Tranquebar. Sobre essa missão, Justo González diz que: “O trabalho desses missionários foi variado, pois além de ministrar aos colonos dinamarqueses e alemães, trabalhavam entre católicos que falavam português e entre os índios”

Talvez o pietista mais conhecido seja o conde Nicolau von Zinzendorf. Quando jovem estudou na Universidade de Halle, onde teve Spener e Francke como professores, sendo profundamente influenciado pelo pietismo. Em uma de suas viagens se deparou com o quadro “Ecce Homo”, onde Cristo era retratado dizendo as seguintes palavras: “Dei minha vida por você; o que você faz por mim?”. Sensibilizado por essa obra de arte, Zinzendorf passou a se dedicar ao trabalho de Cristo.

Em 1722, ele deu abrigo em sua propriedade chamada “Herrnhut” (cabana do senhor) a um grupo de 300 pessoas que estavam sendo perseguidas na Morávia (Áustria e Leste Europeu) por serem adeptas da sã doutrina pregada por John Huss. Esse grupo de imigrantes deu origem aos conhecidos Irmãos Morávios (“Unitas Fratrum”).

Cinco anos depois ocorreu um significativo avivamento trazendo grande transformação na vida dos morávios. Eles conduziram uma vigília de oração ininterrupta durante 100 anos e adotaram a simplicidade como modo de vida dando grande assistência aos necessitados de sua sociedade.

No ano de 1731 o conde Zinzendorf teve um encontro com cristãos nativos da Groelândia e da Índia (frutos do trabalho missionário de Halle) e ficou chocado com o apelo deles para que tivessem mais missionários em suas terras. O conde levou este apelo aos morávios que habitavam em Herrnhut e estes abraçaram a causa de maneira empolgante. Começou aí o despertamento da igreja morávia para as missões transculturais.

É importante lembrar que até essa época a igreja cristã acreditava que era responsabilidade do Governo alcançar os outros povos com o Evangelho, através das atividades de colonização. Segundo Kenneth Mulholland, “os morávios foram os primeiros cristãos a colocar em prática a ideia de que a evangelização dos perdidos é dever de toda a igreja, não apenas de uma sociedade ou de alguns indivíduos”.

Uma das principais características do movimento missionário moraviano era que eles não eram sustentados pela igreja local. Os próprios missionários se dispunham para o campo, comprometendo-se a utilizar a sua profissão para manterem-se ali. Grande parte dessas profissões envolvia trabalhos manufaturados, o que dava maior flexibilidade para o missionário na administração do seu tempo. Por isso, eles eram orientados por Zinzendorf a não assumirem qualquer função nas fábricas e fazendas do local.

O principal objetivo destes irmãos era levar o Evangelho até os confins da terra, mas não se limitava somente ao anúncio da Palavra; eles estavam comprometidos também com o desenvolvimento econômico e social da sociedade em que trabalhavam. Falando sobre o ministério que os irmãos morávios desenvolveram em Labrador, Ruth Tucker diz que “à medida que sua influência econômica cresceu também aumentou a sua influência espiritual, e uma igreja Morávia florescente surgiu neste país”.

Eles eram leigos que usavam suas profissões não somente para manterem-se no campo missionário, mas também para criar vínculos de amizade com os moradores locais.

Outras características do movimento missionário dos Irmãos Morávios era que eles deveriam iniciar um trabalho missionário entre povos pouco ou não evangelizados. Eles aceitavam a cultura do povo, sem impor seus costumes europeus. Segundo o conde Zinzendorf, o missionário era enviado para evangelizar, não para doutrinar, por isso a mensagem que eles anunciavam era tão somente o amor de Cristo, e deixavam para se aprofundar em outras doutrinas após a conversão da pessoa.

Depois de 100 anos de intensa atividade missionária os Irmãos Morávios tinha estabelecido 41 centros missionários, 40 mil batizados nos campos e 208 missionários ativos. 50 anos depois este número subiu para 700 centros missionários, 83 mil batizados, 335 missionários ativos e 1500 obreiros nacionais. A proporção chegou à impressionante marca de um missionário para cada 25 cristãos morávios, marca essa que dificilmente será superada por alguma empreitada missionária.

Antes de finalizar, é importante observarmos um círculo de influências que ocorreram naqueles anos. John Wycliffe foi considerado a “estrela-d’alva” da Reforma porque lutou pelos mesmos ideais dos reformadores, séculos antes destes existirem. Wycliffe influenciou John Huss, que também lutou contra os dogmas e as heresias da Igreja Católica. Perseguido e morto, Huss deixou, como fruto de seu trabalho, os Irmãos Boêmios que defenderam a sã doutrina em meio à escuridão espiritual da sua época.

Os Irmãos Morávios eram descendentes espirituais dos irmãos boêmios, pois seguiam as doutrinas de Huss e fugiram da Morávia por causa da perseguição religiosa indo se refugiar em Herrnhut, as terras do conde Zinzendorf. Anos mais tarde, John Wesley (o pai do Metodismo) em uma perigosa viagem marítima admirou-se com a paz de espírito que sentiam alguns cristãos morávios que estavam no mesmo navio que ele durante a tempestade.

Naquela ocasião os morávios mostraram a Wesley que ele ainda não havia “nascido de novo” e que estava vivendo uma religiosidade vazia. Depois disso, Wesley fez uma visita a Herrnhut para conhecer o trabalho dos Irmãos Morávios e padronizou o metodismo de acordo com o modelo que viu ali.

J. Wycliffe >> J. Huss >>Irmãos Boêmios >> Irmãos Morávios >> John Wesley >> Metodismo

A única razão de tamanho sucesso missionário foi a visão cristocêntrica que os Irmãos Morávios tinham. Cristo, e somente Cristo, era o foco da obra que eles realizavam. E o lema missionário que eles assumiam deixava isso ainda mais claro: “Conquistar para o Cordeiro a recompensa de seu sacrifício”.

A CRIANÇA E O REINO Mateus 19:14 Então disse Jesus: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céu...
13/10/2024

A CRIANÇA E O REINO

Mateus 19:14 Então disse Jesus: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas".

Crianças, facilidade para perdoar, pois mesmo sem terem a total consciência do males que o ódio/rancor/ressentimento causam, mas sabem que a alegria do abraço da comunhão é maravilhoso e saudável.

Mesmo sem terem o entendimento de que o que se aprende ninguém pode nos tirar, de ninguém é detém todo o conhecimento e de que métodos que deram certo em um lugar e eu um momento, podem não serem eficientes em um outro lugar e em um outro momento, estão sempre disposto a aprenderem, são ensináveis, são húmus (terra preparada para o plantio).
Mesmo sem terem feito biologia a ponto saberem que Deus só criou uma raça, a humana, e mesmo sem serem estudiosas da Bíblia a ponto de saberem que temos um mesmo Pai, Deus que nos criou à sua imagem e semelhança, não fazem qualquer acepção por causa de s**o ou cor de pele ou mesmo posições sociais.

Não sabendo o custo que se dá às coisas, a valorização exacerbada que dão à coisas, elas conseguem valorizar a beleza da borboleta, se maravilham com a bela complexidade de uma flor, se encantam com o canto do pássaro, sorriem com o frescor de um banho de borracha num dia ensolarado, etc.

Sem quererem se sobrepor a ninguém, fazem de toda e qualquer disputa um momento de alegria e de descobrir e explorar sua própria capacidade.

Como disse o falecido poeta Gonzaguinha: “Eu fico com a pureza e a resposta das crianças, é a vida, é bonita e é bonita!”.

Nossa vida é um projeto de Deus. Pense nisso. Rogério do Amaral.

POR FAVOR, LEIA O TEXTO TODO:   O que é ser uma igreja missional?    O conceito de “Igreja Missional” é relativamente re...
10/10/2024

POR FAVOR, LEIA O TEXTO TODO:

O que é ser uma igreja missional?

O conceito de “Igreja Missional” é relativamente recente. Uma terminologia nova que reflete o resgate de noções clássicas aplicadas principalmente na missão em realidades urbanas, pós-cristãs ou de grande resistência ao cristianismo. A noção de missionalidade enquanto paradigma missiológico é perfeitamente adequada em vários contextos, mas tem sua origem em contextos urbanos onde o individualismo, a competição, o consumismo e o secularismo marcam de maneira evidente os ritos sociais e culturais.
Porém, de maneira muito simples, a noção de Igreja Missional refere-se simultaneamente a um modo de “ser” igreja e de “fazer” missão. Neste caso, ser uma igreja mais presente entre as pessoas e atuante de maneira relacional e pessoal na sociedade e nos ambientes ordinários. Refere-se ao modo como cada membro da igreja local encara e vive sua vida integrada à missão de Deus no mundo. A igreja que se mistura sem ser absorvida. Cristãos que se relacionam autêntica e intencionalmente com as pessoas, fazendo com que Cristo seja apresentado a partir da concretude de suas vidas e testemunho.
Ser missional significa que, mais do que levar as pessoas à igreja para ouvirem de Cristo, Cristo é levado até as pessoas por meio da presença da igreja no mundo e na vida em sociedade. Neste caso, o principal lugar em que o evangelho é comunicado aos não-cristãos não é no culto público – o que eventualmente pode acontecer quando se considera que o púlpito evangélico é cristocêntrico e centrado no Evangelho – igrejas missionais enviam, preparam e inspiram cristãos a serem autênticos e plenamente cristãos em suas vidas comuns. A partir disso, pessoas não-cristãs terão contato com a realidade de Cristo na medida que cristãos se relacionam e lhes comunicam o Evangelho.

Cristãos missionais se tornam pessoas altamente interessadas em pessoas - Eles oportunizam encontros, relacionamentos, convidam pessoas para suas casas, se relacionam com o barbeiro, o tatuador, a manicure, o taxista, a professora, a médica, o açougueiro, o caixa do banco ou supermercado e colegas de trabalho. Desta forma, a evangelização acontece de maneira orgânica e intencional. Orgânica pois são cristãos tão afetados pelo evangelho que pregá-lo lhes é natural, e é parte de quem elas são. Como suas vidas transbordam de Cristo, inevitavelmente seu estilo de vida refletirá esta realidade. Com a dose certa de ensino e discipulado, esses cristãos comunicarão o evangelho de maneira inteligente, pessoal, contextualizada e sábia aos que estão ao seu redor.

Uma vida missional é contagiante e tem relativa eficiência no testemunho, pois quebra estereótipos sobre o que significa ser cristão e sobre o que significa evangelizar - Pessoas não-cristãs têm um imaginário distorcido sobre o que significa ser cristão, infelizmente por impressões e mau testemunho que são veiculados em redes sociais e na mídia. Por essa razão, o ser missional é uma excelente estratégia missionária e evangelizadora em contextos em que as pessoas se tornaram cínicas em relação ao cristianismo. O testemunho pessoal é altamente eficiente. A dimensão intencional, refere-se ao fato de que a partir de relações reais e um interesse profundo pelas pessoas, cria-se condições para trazer outros para a luz de Cristo.

Por outro lado, a noção de missionalidade faz com que cristãos descubram uma maneira alegre, natural e encorajadora de dar testemunho de Cristo e evangelizar. Entretanto, é fato que, cristãos só podem ser missionais se a igreja local também se envolver em prepará-los para uma vida missional. Isso significa que a igreja deve elaborar programas e pregações que facilitem cristãos a se tornarem cheios do Evangelho, cultural e teologicamente preparados para comunicarem Cristo de maneira que Ele atinja as tensões, dilemas e questões contemporâneas apresentadas pelas pessoas.

Ser uma igreja missional implica em interesse por gente, evitando-se o isolamento cultural e social - Exige um “ser igual” e ao mesmo tempo “diferente”. Cristãos não podem ser estranhos para além da estranheza e do escândalo do evangelho. Mas, também não podem ser iguais ao ponto em que as pessoas não percebam a singularidade de uma vida afetada por Cristo. Esta é a linha tênue entre o isolamento e o mundanismo. Por estarem centrado em Cristo e no seu Evangelho, são desafiados a se manterem longe desses extremos.

Por mais que reconheçamos a necessidade de missionários formais, um fato bíblico e histórico é que o cristianismo cresceu no mundo principalmente por causa do trabalho de cristãos comuns, gente normal. E, isso, justamente por causa da capacidade de penetração social e cultural dessas pessoas. Enfim, ser missional é redescobrir a igreja local como uma importante enviadora de missionários ordinários, cristãos comuns, mas que são cheios do Espírito Santo, educados e discipulados, para fazerem menção de Cristo, justamente porque estão saturados dele. Às vezes, colegas de ministério perguntam: por que membros de nossas igrejas evangelizam pouco? Talvez a resposta seja: porque eles não foram suficientemente evangelizados. Gente cheia do Evangelho evangelizará!

Endereço

Rua José Luiz Ferraz
Rio De Janeiro, RJ

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