22/06/2025
A CENTENÁRIA ÁRVORE PAU-FERRO DE BOTAFOGO
A árvore que enfeita a entrada do edifício nº 64 da rua Marquês de Olinda é um belo exemplar de pau-ferro, espécie ameaçada de extinção na Mata Atlântica, cuja madeira é tão densa e dura que solta faíscas quando golpeada por machado. No passado, o pau-ferro foi usado pelos índios para fazer tacapes, daí seu outro nome: “jucá” – do tupi yu'ká, "matar" –, nada a ver com aquele senador de Roraima.
O pau-ferro da Marquês de Olinda foi poupado pelo escritório LSFG Arquitetos, que projetou o caminho da entrada do edifício de forma que a árvore fosse protegida e, ao mesmo tempo, vista por todos. Em 1994, com apoio dos moradores, ela foi tombada e ficou imune ao corte por meio de decreto do então prefeito Cesar Maia.
Muita história envolve o pau-ferro centenário. Sabemos, por exemplo, a data de nascimento dele: 5 de julho de 1867. A árvore foi plantada pelo comendador Antônio Joaquim Soares Ribeiro – um rico empresário de família influente da região de Maricá – em homenagem às netas, segundo o Guia de bens tombados da Prefeitura, embora o decreto de tombamento aponte o ano de 1864, sem precisar dia e mês. As netas do comendador – Maria Augusta Magalhães Taques, Beatriz Magalhães Taques e Evelina Torres Soares Ribeiro – nasceram, respectivamente, em 19 de abril de 1863, 5 de junho de 1864 e 1º de dezembro de 1865.
Fiquemos com a data de 1867, que não deixa nenhuma neta de fora da homenagem, sobretudo Evelina, a mais relevante do ponto de vista da história do bairro. Evelina foi mulher do político, jornalista e diplomata Joaquim Nabuco, famoso por liderar a campanha abolicionista no Brasil, apesar de ter sido defensor de outras causas importantes, como a da liberdade religiosa.
Texto: Antonio Augusto Brito
Fonte: Curta Botafogo
Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro