12/05/2026
no início do século xx, o Rio queria ser uma Paris tropical. com as violentas reformas do “bota-abaixo”, a população negra era expulsa do centro e vigiada de perto pela polícia. foi nesse cenário hostil que as grandes matriarcas que migraram da Bahia formaram a Pequena África, uma rede viva de solidariedade e acolhimento ao redor da Praça Onze.
as casas dessas “tias” baianas viraram verdadeiros portos seguros. lá, quem chegava encontrava comida, ajuda para arrumar trabalho e liberdade para a própria fé. e para proteger esse santuário da repressão, Tia Ciata usava a genial tática dos “biombos culturais”.
na sala da frente de sua casa, tocava-se choro e valsa para despistar a polícia. nos fundos, o candomblé e o verdadeiro samba resistiam soltos até o amanhecer. como mostramos no carrossel, até a cura do presidente foi mais uma de suas brilhantes cartadas políticas para blindar o seu terreiro e o seu povo.
caminhar pelo Centro, pela Praça Onze e pela região portuária é pisar no solo sagrado de quem forjou a nossa cultura batendo o pé e o tambor.
conheça a e a memória social da cultura carioca.
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Catálogo das Artes