03/11/2024
Sempre me intrigou ver pessoas do meu ciclo (aquele ciclo que eu não escolhi estar, mas o que é inevitável até certo ponto) optando por falar o que vem à cabeça, proferindo palavras ofensivas que vem seguidas da autoafirmação “eu falo mesmo. Falo o que penso! Vão ter que me aturar porque sou sincera”. Na minha cabeça f**a uma névoa de questionamentos: “quem disse que tem que ser assim?”, “quem tem que aturar isso?”, “o que a pessoa que foi alvo vai fazer com o que foi dito, além de f**ar remoendo, desconfortável?”.
Algumas pessoas têm um verdadeira e vergonhosa incapacidade de controlar seus impulsos de fazer rir a custa da humilhação, tristeza, vulnerabilidade do outro. E elas acabam se sentindo muito amadas porque, dependendo do contexto, as pessoas acabam “bajulando” e fazendo elas se sentirem bem num ato extremo de autoproteção, na tentativa de fazer com que as poupem de suas miras, com suas palavras destruidoras de ambientes, de relacionamentos, de autoestima.
Por isso cabe pensar sobre o poder que têm as palavras o quão louvável é saber fazer bom uso delas. Se podem curar ou ferir, construir pontes ou criar abismos, promover ou suspender guerras (internas ou externas) o que leva alguém a escolher usá-las como armas? A grande questão é que nunca teremos essa resposta. Não temos controle sobre os impulsos e escolhas do outro. Temos sim, controle sobre as nossas escolhas, vontades e comportamentos a ponto de podermos decidir o que fazer a partir do momento que o outro optou por nos ofender.
Se podemos encontrar a força para transformar nossas vidas e as vidas daqueles ao nosso redor com gestos simples e palavras de encorajamento, numa expressão de empatia, porque não o faremos? Se pensamos assim, é comum que esperemos o mesmo raciocínio dos que convivem conosco, e o maior sofrimento pode estar não na ofensa ouvida, mas no esforço de mudar o que não temos poder de mudar, que é a “falta de noção” do outro.
Se cada palavra que escolhida fosse uma semente plantada, seu jardim estaria florescendo em compaixão e gentileza ou em julgamento e dor? Já pensou sobre qual jardim você deseja cultivar?
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