29/09/2019
II Congresso Internacional sobre Revitalização de Línguas Indígenas e Minorizadas
- www.cirlin.com - UNB – Brasília – 1 a 4 de outubro de 2019
A) Simpósio: Relações céu-terra: saberes indígenas revelados
Coordenadores: Cristina Martins Fargetti (UNESP, Araraquara)
Marcio D’Olne Campos* (UNICAMP, SIAC, Proposta SULear)
Resumo: Neste simpósio, pretendemos promover o debate a respeito de conhecimentos tradicionais de povos indígenas sobre as relações entre os eventos observados no céu e as atividades na vida cotidiana, o que chamamos relações céu-terra. Concorrem com esse tema central categorias básicas de análise como tempo, espaço e lugar, marcadores importantes na consideração da organização social de sociedades nativas. Como comprovam pesquisas, estes conhecimentos abrangem objetos celestes e sua dinâmica diária e sazonal, que têm sido aos poucos esquecidos pelas gerações mais jovens, motivo pelo qual seu estudo e documentação reveste-se de uma grande urgência. A importância desses conhecimentos é apontada em trabalhos como os de Campos (1999, 2001), que questiona a visão das ethnosciences e seus preconceitos, mesmo pretendendo estudar uma outra cultura. Para os linguistas, uma pesquisa sobre as relações céu-terra é possível, por exemplo, partindo de trabalhos terminológicos como os propostos por Fargetti (2018), em que a etnografia também é levada em conta. Assim, todo pesquisador que entra em contato com povos indígenas deve ter notado tais saberes, buscando, de alguma forma, documentá-los. Contudo, dadas as especificidades do tipo de pesquisa envolvido, boas iniciativas necessitam de um preparo teórico-metodológico. Em um diálogo entre antropólogos, astrônomos, linguistas e outros pesquisadores, pode-se chegar a metodologias que respondam a essa urgência referida.
Palavras-chave: relações céu-terra; línguas/culturas indígenas, tempo e espaço, temporalidades
Referências
CAMPOS, M. D. (2001). “Etnociência ou etnografia de saberes e técnicas?”, in: AMOROZO, M. et al. Métodos de coleta e análise de dados em etnobiologia, etnoecologia e disciplinas correlatas. Rio Claro: Unesp.
CAMPOS, M. D. (1999). “SULear x NORTear: representações e apropriações do espaço entre emoção, empiria e ideologia.” Série documenta, vol. 6, nº 8. Rio de Janeiro: EICOS/Cátedra Unesco.
FARGETTI, C. M. (2018). “Estudios del léxico de lenguas indígenas: ¿terminología?”, in: González, Manuel González; Sánchez -Palomino, María-Dolores; Mateos, Inés Veiga. (orgs.). Terminoloxía: la necesidad da colaboración. 1 ed. Madrid: Vervuert, v. 1, pp. 343-368.
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II CIRLIM – Workshop Interativo
Astronomia a olho nu, relações céu-terra e organização social entre populações indígenas
Marcio D’Olne Campos (UNICAMP, SIAC e Proposta SULear*)
“Entre muitas tribos nativas da Colômbia, o céu noturno tropical e os movimentos cíclicos dos corpos celestes constituem modelos para certas formas de comportamento humano. O céu é visto como um enorme projeto de tudo o que aconteceu, acontece ou acontecerá na terra; um enorme mapa repleto de informações sobre todos os aspectos do comportamento biológico e cultural, tempo, espaço, evolução e fenômenos psicológicos; em suma, um corpo enciclopédico do que se poderia chamar de "informação de sobrevivência", cujo conhecimento por si só pode dar ao Homem uma medida de segurança.” (Reichel-Dolmatoff, 1982. Tradução livre)
1. Fundamentos: astronomia a olho nu a partir do referencial topocêntrico (o do horizonte). Globo terrestre e mapas. Decolonialidade e a Proposta SULear (vs NORTEar).
2. Etnoastronomia, ‘astronomia nas culturas’ ou ‘etnografia de saberes, técnicas e práticas’ nas relações céu-terra?
3. Relações céu-terra, temporalidades, expectativas, regularidades e anomalias nas marcações dos tempos dos fenômenos naturais e sociais no território habitado. Organização social. Trata-se do jogo de expectativas na relação especular céu-terra mencionada por Reichel-Dolmatoff (1982).
4. Grupos Kayapó (Aldeia Gorotire) do sul do Estado do Pará e Kuikuru do Alto-Xingu.
O Congresso Internacional sobre Revitalização de Línguas Indígenas e Minorizadas foi realizado pela primeira vez na cidade de Barcelona, Espanha, no ano de 2017. A segunda edição do evento ocorrerá em outubro de 2019 na Universidade de Brasília, Brasil.
O evento, que contempla iniciativas e práticas de revitalização de línguas indígenas de diferentes partes do mundo, dará visibilidade especial às ações desenvolvidas em prol da vida e fortalecimento das línguas indígenas em geral, com foco especial para as línguas indígenas brasileiras.
Como atividade complementar ao II CIRLIN, será realizado nos dias 05 e 06 de outubro, o I Encontro Internacional sobre Diversidade linguística Indígena: troca de experiências e estratégias de salvaguarda, em que se oportunizará um espaço com oficinas, grupos de trabalho e outras atividades que proporcionem o intercâmbio entre indígenas brasileiros e indígenas de países como México, Peru, Equador, Chile, entre outros.
Saiba mais sobre o evento: https://www.cirlin.com/
UnB - Universidade de Brasília IphanGovBr UNESCO Laboratório de Línguas e Literatura Indígenas -LALLI/UnB ONU Brasil Calet Unb UNIBA Unemat UNESP m1l gr4u