10/11/2018
A combinação de recessão com alta dos índices de criminalidade resultou em queda no valor do metro quadrado dos imóveis residenciais para venda em 43 dos 52 bairros monitorados pelo Sindicato da Habitação do Rio entre 2015 e este ano. Há áreas em que o recuo está diretamente ligado a questões de segurança. Em São Conrado o metro quadrado ficou 10,4% mais barato enquanto os tiroteios voltaram à rotina de comunidades como a Rocinha após a falência das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). No Leme, onde a UPP também não impede mais tiros nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia, a queda foi de 12,2%. Na Zona Oeste, a Praça Seca desvalorizou 8,7% em meio ao conflito envolvendo milicianos. Nos últimos três anos, a recessão já seria inevitavelmente geradora de um ciclo mais difícil para o mercado imobiliário, com as vendas parando, freio nos lançamentos, encarecimento e restrição do crédito e o aluguel em queda. Isso aconteceu em todo o país. Mas no Rio houve também um descontrole da segurança pública que tornou o impacto para o setor ainda mais negativo — explica Leonardo Schneider, presidente do Secovi-Rio. Arredores de comunidades como Pavão/Pavãozinho e Babilônia/Chapéu Mangueira e Rocinha, na Zona Sul; Rio das Pedras, na Zona Oeste; e Formiga, na Tijuca (Zona Norte), sofrem não apenas com o impacto negativo da violência no preço dos imóveis, mas com uma redução na demanda nessas regiões. A situação ainda não voltou aos patamares anteriores à implantação das UPPs, quando já havia bairros praticamente perdidos. Foi o caso da Tijuca. Lá atrás, o anúncio da chegada das UPPs ao bairro fez o preço dos imóveis disparar 30%. Agora, ao contrário, está empurrando o preço para baixo — diz Scheneider. — O impacto é sempre forte, para o bem e para o mal. Nos três anos que antecederam a recessão, entre 2012 e 2015, lembra ele, o Rio viu o metro quadrado disparar com o crescimento econômico e os preparativos para Copa do Mundo e Olimpíada. Houve altas de até 78,9%, como ocorreu em Ramos, na Zona Norte. Na Tijuca, o salto foi de 40,6%, enquanto no Leme bateu 41,6%. Em São Cristóvão, a alta alcançou 42%. De 2015 para cá, porém, só este último amarga perda de 9,8%. (Fonte: O Globo)