10/09/2023
Nem sempre nos envolvemos com trabalhos que adoramos. De fato, o emprego não precisa ser sempre sobre isso. Contudo, é crucial encontrar algum aspecto apreciável na atividade para tornar ela viável. Pode ser o salário, as interações, os resultados obtidos ou a própria natureza da função. Sem algum sentido, a rotina pode se tornar insustentável. E se até mesmo quem se dedica à paixão profissional pode sucumbir ao esgotamento em uma estrutura capitalista, imagine os que não encontram propósito algum no que fazem.
A noção de que deveríamos trabalhar apenas com o que amamos, apesar de atraente, pode gerar ilusões perigosas e pressões desnecessárias. Verdadeiramente, amar a atividade pode trazer imensa satisfação e propósito. Porém, é crucial lembrar que, em sua essência, o trabalho é uma atividade para sustento e sobrevivência, organizado em torno do lucro de alguém em cima daquilo que você fez e sempre em desequilíbrio.
Em nossa busca para executar apenas o que amamos, podemos criar expectativas irreais em nossas atividades e em nós mesmos. O emprego pode tornar-se uma fonte de realização, mas também pode ser um poço de estresse, pressão e frustração. Fora que, a ideia de que só deveríamos realizar o que amamos ignora a realidade de muitos que não têm o privilégio de escolher o emprego dos sonhos, precisando laborar para seu sustento e o de suas famílias.
Devemos ser gentis conosco sim e permitir a aceitação de que o trabalho, por vezes, será difícil e maçante. Esta aceitação pode, paradoxalmente, nos liberar para encontrar alegria e propósito em meio à realidade multifacetada do mundo do trabalho.