28/08/2026
Tem uma parede em Salto que segura o Rio Tietê desde 1928.
Pedra encaixada em pedra. Ela atravessou quase cem anos de cheia e de seca e continua lá, inteira. A pedra não é o problema. Nunca é.
O problema é o que existe entre uma pedra e outra.
Rejunte não arrebenta. Ele se cansa. Vai perdendo coesão devagar, abrindo caminho de um milímetro por vez, e a água — que tem todo o tempo do mundo — vai entrando. Quando a mancha aparece do lado de fora, ela já mora ali dentro há anos.
E é aí que f**a difícil. Ninguém para uma usina por causa de infiltração. Ninguém esvazia o rio. Ninguém desmonta pedra de 1928 pra ver o que tem atrás.
Então a pergunta muda. Não é mais como consertar. É como chegar lá dentro sem abrir nada.
A resposta estava na própria água.
A resina entra líquida por um furo de poucos milímetros. Encontra a infiltração que já estava lá. Reage com ela. E cresce, até não sobrar caminho por onde passar.
Foi então que aconteceu o que a gente tinha ido ver.
A espuma começou a brotar na face da parede. Um escorrimento aqui. Outro alguns metros adiante. Outro mais abaixo, num ponto onde ninguém tinha apostado.
Cada um deles era um caminho de água que existia e que ninguém tinha como enxergar antes.
Fomos a Salto fazer um teste de estanqueidade.
Voltamos com o mapa.
InjectSystem — recuperação estrutural por injeção