19/09/2024
4. Uso perfeito do tempo
A maioria das pessoas para por aqui quando usa Eclesiastes 3.1-8 para descrever o caráter de Deus, mas podemos dar um passo além, vinculando esse grande poema à pessoa e à obra de Jesus Cristo.
Esses “pares” que nos ensinam algo sobre o caráter do Deus Todo-poderoso nos ensinam também algo sobre o Filho, que compartilha todas as suas perfeições divinas.
Se Deus é soberano sobre as estações, então Jesus Cristo é o Senhor do tempo. Assim como o Deus Criador, Jesus ordenou os ritmos da criação.
Agora, por meio de sua ressurreição dentre os mortos, Jesus rege o universo com autoridade soberana sobre o tempo e a eternidade.Jesus Cristo é “o Senhor dos anos” e “o Potentado do tempo”.
Quando testemunhamos a obra de Jesus nos evangelhos, vemos um Salvador que sabia fazer bom uso do tempo, ele sempre conhecia a hora.
Houve um tempo oportuno para ele nascer: “vindo, porém, a PLENITUDE DO TEMPO, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher” (G14.4).
Houve também um dia oportunizado para Jesus morrer. Ele morreu naquele dia, nenhum dia antes ou depois. Os líderes religiosos estavam tramando contra ele, tentando matá-lo quanto antes.
Mas não conseguiram crucificá-lo antes do dia determinado por Deus. Antes disso, “NÃO ERA CHEGADA A SUA HORA” (p. ex., Jo 7.30). Mas quando a hora chegou, Jesus morreu na cruz.
Assim, as Escrituras dizem: “Cristo (…) morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm 5.6). Jesus ressuscitou também na hora certa – no terceiro dia, como as Escrituras haviam prometido (Os 6.2; cf. Lc 24.45-46: 1 Co 15.4).
Desde o seu nascimento até sua morte e ressurreição, Jesus fez tudo na hora certa em sua obra de salvação.
Durante seu ministério na terra, Jesus conhecia a hora certa para cada atividade. Quando disse: “Eu sou a videira, vós, os ramos” (Jo 15.5), ele estava usando seus discípulos para PLANTAR de novo a vinha do povo de Deus.
Como Senhor da ceifa, ele sabia também quando era a hora de ARRANCAR.Jesus disse: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada” (Mt 15.13).
Jesus sabia quando era a hora para CURAR. Quando realizou os milagres do reino, ele fez os paralíticos andarem, os surdos ouvirem e os cegos verem.
Jesus sabia quando era a hora de DERRUBAR — lembre-se, por exemplo, de como ele expulsou os cambistas do templo (Lc 19.45) — e sabia também quando era a hora de EDIFICAR, como quando edificou a sua igreja sobre a pedra da confissão de Pedro segundo a qual ele era e é o Cristo (Mt 16.15-18; cf. 7.24).
JESUS CONHECIA O TEMPO CERTO PARA CADA EMOÇÃO. Havia tempos para chorar. Assim, esse “homem de dores” (Is 53.3) chorou diante do túmulo de Lázaro (Jo 11.35,38) e derramou as lágrimas do bom pastor pelas ovelhas perdidas de Jerusalém (Lc 19.41-44; cf. Mt 9.36).
Mas havia para ele também momentos para rir e festejar. Ele se regozijou no Espírito Santo quando seus discípulos retornaram de sua primeira viagem missionária, quando começaram a obra do reino (Lc 10.21).
Quando se tratava de relacionamentos pessoais, Jesus sabia quando era hora de PROCURAR AS OVELHAS PERDIDAS e quando era hora DE DESISTIR DOS BODES que se recusavam a ouvir sua voz.
Ele ABRAÇOU os coletores de impostos, as prostitutas e outros pecadores perdidos que sabiam quanto precisavam de um Salvador. Mas Jesus NÃO ABRAÇOU os escribas, os fariseus e outras pessoas orgulhosas que insistiam que já eram justas o bastante para Deus.
Jesus sabia também quando era a hora de FALAR e quando era a hora de se CALAR. Ele falou muito durante os três curtos anos de seu ministério público — contando histórias, explicando a lei, pregando o evangelho.
Jesus cumpriu seu propósito “de dar testemunho da verdade” (Jo 18.37). Mas quando chegou a hora do julgamento de sua vida, ele não falou em sua defesa (Mt 27.14), mas sofreu em inocência silenciosa.
Chegara a hora de ele se manter calado, pois “como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a boca” (At 8.32; cf. 1Pe 2.21-23).
Incluindo o dia de sua morte, Jesus conhecia a hora certa para tudo. Ele ainda conhece.
Ele conhece o tempo para AMAR, demonstrando misericórdia para com os pecadores perdidos e necessitados que pedem para que ele seja seu Salvador. Ele conhece o tempo para ODIAR, levantando-se contra o mal e a injustiça.
Ele conhece o tempo para a GUERRA, pois sua igreja luta contra Satanás e contra todos os inimigos de Deus.
Em breve chegará o tempo para a PAZ, quando o Filho de Deus porá “termo à guerra até aos confins do mundo” (Sl 46.9) e trará a paz eterna do reino de Deus do início ao fim, a cronologia de Jesus é perfeita.
A soberania de Deus sobre as estações se manifesta gloriosamente em sua vida e obra salvífica.
5.Remindo o tempo
O exemplo de Jesus nos encoraja a fazer o melhor uso do nosso tempo. Essa é uma das melhores maneiras de evitar a vaidade da vida sem Deus – saber o que fazer com nosso tempo.
O modo como gastamos nosso tempo é o modo que passamos nossa vida. Há um grande mal a ser colhido se não fizermos o bom uso do tempo.
Primeiro porque nós termos que prestar contas do tempo que nos foi disponibilizado.
As coisas precisam ser feitas no tempo oportunizado por Deus. o mau uso do tempo produz o ESTRESSE que é o excesso de presente, a DEPRESSÃO é o excesso de passado, e a ANSIEDADE é o excesso de futuro.
Se somos seguidores de Cristo, então precisamos conhecer a hora, medindo o tempo não só em termos de horas e dias, mas vendo-o como uma oportunidade (Kairós)) de servir a Deus.
Veja três maneiras de aprender com esse poema.
Em primeiro lugar; espere pelo tempo de Deus. Se é verdade que Deus é soberano sobre o tempo e que Jesus sempre faz uso perfeito do tempo, então nós devemos confiar que Deus conhece o tempo certo para tudo.
Essa é uma das razões pelas quais Davi foi capaz de “bendizer o SENHOR em todo o tempo” (SI 34.1): ele sabia que, não importando a hora, Deus ainda estava no controle.
Alguns dos tempos na lista do Pregador estão além do nosso controle — como os tempos do nascimento e da morte, por exemplo, ou os tempos de guerra e paz. Isso vale para muitos eventos na vida: eles fogem ao nosso controle.
A maioria de nós preferiria administrar a sua própria agenda, o que nos leva facilmente a criticar a agenda de Deus.
Mas em vez de perder a paciência ou se antecipar à cronologia de Deus, deveríamos nos apressar a esperar por Deus. Sempre que nos encontramos diante de uma incerteza, devemos esperar por Deus.
Não cabe a nós “conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade” (At 1.7).
Enquanto isso, somos chamados para esperar pela hora de Deus. Devemos esperar como Isaias, que prometeu que aqueles que “esperam no SENHOR renovam as suas forças” (Is 40.31; cf. 30.18), ou como Davi, que disse: “Confio em ti, SENHOR C..) Nas tuas mãos, estão os meus dias” (S131.14-15).
Essas palavras deveriam ser a oração de todo cristão, como o foram também para William Lloyd, quando transformou o salmo de Davi em um hino:
“Nas tuas mãos estão os meus dias; Meu Deus, ali quero que estejam; Minha vida, meus amigos, minha alma entrego Completamente aos teus cuidados.”
Em segundo lugar, viva toda sua vida sabendo que há um tempo para você morrer. Como dizem as Escrituras: “aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9.27).
Você estará preparado quando a hora vier? Muitas pessoas não estão. Quando o Visconde de Turenne foi fatalmente ferido na Batalha de Salzbach em 1675, ele disse melancolicamente: “Eu não pretendia ser morto hoje”.
Uma viúva de 65 anos de idade, de Amsterdã, por sua vez, estava totalmente preparada. Após a morte de seu marido em 2005, ela planejou o seu próprio funeral cuidadosamente, inclusive a música.
Certo dia do ano seguinte, quando foi visitar o local em que seu marido estava sepultado, ela se deitou e morreu ao lado do túmulo da família, talvez em decorrência de um ataque cardíaco. O nome da mulher já estava inscrito na lápide, e seu testamento foi encontrado dentro de sua bolsa.
Seria difícil para toda pessoa estar mais preparada para morrer do que ela estava, mas, na verdade, todos que confiam em Cristo deveriam estar prontos para morrer a qualquer momento, pois o céu é a promessa de Deus para cada cristão.
Você está preparado para a eternidade? Não há tempo a perder. Não importa a hora que seja agora, esta é uma boa hora para entregar a sua vida a Cristo.
Agora é hora de nascer de novo, pois quando se trata de receber o presente gratuito da vida eterna, não há tempo melhor do que o presente:
“eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação” (2Co 6.2).
Em terceiro lugar, faça bom uso do tempo que tiver. O tempo é o bem mais precioso que temos. É a moeda impagável que Deus nos deu para fazer a obra do seu reino.
O tempo é um fragmento da eternidade dado ao homem por Deus como uma mordomia solene.
Acontece que o tempo é também uma das coisas mais difíceis que temos para administrar. Todos nós temos a mesma quantia de tempo por dia; a pergunta é como a usamos… ou se a desperdiçamos.
Assim, a Bíblia nos aconselha a usar o tempo com sabedoria, “remindo o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.16).
A melhor maneira de usar nosso tempo é para a glória de Deus e para o reino de Cristo. Mas remir o tempo exige a sabedoria do Espírito Santo.
Há tempos na vida e no ministério para começar algo, para plantar, edificar e dar à luz. Mas há também tempos em que algo deve chegar ao fim — um projeto, um ministério ou uma instituição.
Saber quando é a hora para ARRANCAR E DERRUBAR sempre exige sabedoria, pois estas são algumas das decisões mais difíceis na vida.
Deus nos chama para sabermos a hora certa para REAÇÕES EMOCIONAIS, tanto na vida particular (choro e riso) quanto na vida pública (luto e o festejo).
Ter o coração de Jesus significa saber quando é hora de “chorar com os que choram” e de “alegrar-se com os que se alegram” (Rm 12.15; cf. Jo 16.20).
Precisamos de sabedoria para agendar nossos relacionamentos, sabendo quando é a hora de abraçar alguém e quando é a hora de excluir alguém de nossos planos, das nossas prioridades e, às vezes, até da nossa igreja.
Há tempos em que é importante se levantar para falar uma palavra na hora certa (veja Pv 15.23; 25.11) ou justificar a esperança que há em nós (1 Pe 3.15).
Mas há também momentos para se calar — tempos em que o silêncio vale ouro ou quando é melhor domar a nossa língua (veja o Si 141.3; Pv 27.14; Tg 1.26).
Remir o tempo exige também sabedoria no uso de nossos bens. Há tempos para acumular(poupar) e tempos para espalhar (gastar).
Há tempos para procurar por aquilo que se perdeu, mas há também tempos para parar de procurar e dar algo por perdido.
Há tempos para guardar algo que possamos precisar mais tarde, mas há também tempos para abrir mão daquilo para que outra pessoa possa aproveitá-lo.
Se há “tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ec 3.1), então remir o tempo exige decisões sábias.
Aprenda a perguntar pela hora. Está na hora de edificar ou de derrubar? Devo abraçar ou excluir?
Isso é algo que Deus quer que eu ame ou odeie? Estou falando porque quero dizer algo ou porque realmente tenho algo a dizer?