21/08/2026
Duas vendas. Duas desistências. Um único motivo.
Recentemente, um colega telefonou-me para partilhar uma situação que me deixou a pensar. Tinha contactado dois proprietários interessados em vender. Ambos desistiram. Não por não quererem vender — mas por receio do que teriam de pagar em mais-valias.
Confesso que fui apanhado de surpresa. Nunca tinha olhado para esta questão deste ponto de vista.
Se o receio fiscal leva proprietários a desistir de vender, que impacto pode isso ter na oferta de habitação na nossa região?
Fui procurar alguns indicadores. Em 2016, a média dos imóveis que promovemos era de 167.200 €. Cinco anos depois, já ultrapassava os 199.000 €. Hoje, o imóvel mais barato disponível na mesma zona é uma ruína anunciada por 200.000 €, e já não é raro encontrar imóveis acima de um milhão de euros.
Sei que estes números não têm rigor científico. Mas confirmam o que já se sente: o mercado mudou profundamente.
É natural que quem comprou há duas ou três décadas faça contas antes de vender, e procure a forma legalmente mais favorável de o fazer. Não vejo nisso falta de sentido cívico. Vejo um comportamento profundamente humano.
O proprietário quer preservar o resultado de uma vida de trabalho. O Estado precisa dos recursos para responder às necessidades de todos. Talvez o desafio não esteja em escolher um lado, mas em encontrar equilíbrio.
Continuo sem saber qual é esse equilíbrio certo. Sei apenas que, quando alguém decide vender ou não, raramente há uma única razão — misturam-se contas, emoções, projetos de vida e, claro, também a fiscalidade.
E a vós: já alguma vez adiaram uma venda por causa das mais-valias?
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