03/10/2026
Não vou falar de gratidão.
Não vou falar de transformação.
Nem vos vou dizer que “tudo acontece por uma razão”.
Porque, sejamos honestos, o cancro é mesmo uma grande M**.**
Daquelas que ninguém pediu, ninguém encomendou!!!
Falo, isso sim, de quem passou por ele.
De quem está a entrar neste processo sem saber muito bem onde vai buscar forças.
De quem está no meio, entre consultas, exames, tratamentos, dias bons, dias péssimos e outros em que o único objetivo é simplesmente chegar ao fim do dia.
E de quem está a sair, a tentar perceber como é que se volta à “vida normal” depois de uma coisa destas.
A todas e todos vocês, deixo um abraço apertado. Daqueles que não precisam de grandes palavras.
Eu sei, porque também vivi isto na pele, que há dias em que não precisamos de frases bonitas. Precisamos de alguém que fique. Que não tenha medo do silêncio. Que não nos trate como frágeis. Que consiga rir connosco, até das coisas mais absurdas...e que nos ajude a lembrar que continuamos a ser nós, mesmo quando o corpo, a cabeça e a vida parecem estar em obras. 🫶
E para quem está ao lado...família, amigos, colegas, equipas, profissionais de saúde… obrigada por estarem. Às vezes não sabemos o que dizer. Não faz mal. Um “estou aqui” vale muito mais do que um discurso perfeito.
Que haja, neste mundo, muito amor.
Muito colo.
Muito humor, porque também faz falta.
E muita empatia.
Para conseguirmos continuar.
Com os nossos trabalhos, as nossas famílias, os nossos planos, as nossas chatices, os nossos cafés, as nossas gargalhadas e aquela maravilhosa capacidade humana de, mesmo depois de uma grande pancada, voltar a dizer:
“Pronto. Vamos lá. Hoje temos coisas para fazer.” ❤️
Um abraço enorme a quem está a entrar, a quem está a passar e a quem está a sair deste processo.