28/04/2026
A preparação de uma das minhas últimas vendas obrigou a cuidados particulares.
Quando a realidade física de um imóvel não corresponde àquilo que consta na documentação, é inevitável que isso impacte negativamente o valor pelo qual pode ser vendido.
Regra geral, os proprietários têm consciência de que existem inconformidades. O que muitas vezes não antecipam é a forma como essas inconformidades condicionam o universo de potenciais compradores e, por conseguinte, o potencial valor de venda.
A minha abordagem passa por sinalizar esse risco e sugerir o envolvimento de outros profissionais – solicitadores, advogados, arquitetos – para analisar e, sempre que possível, enquadrar a situação.
Neste caso, a própria documentação era omissa em elementos que se consideram standard.
À luz do Direito Civil, há um princípio que procuro assegurar: que o comprador sabe o que está a adquirir: que conhece a realidade física do imóvel, o que consta na documentação e, se aplicável, entende também a divergência entre ambos.
Esse alerta constava, aliás, no próprio anúncio.
Apesar disso, a transação não só foi concluída como foi financiada através de crédito à habitação.
Este ponto é crítico.
Muitas vezes ouve-se dizer: “este imóvel é apenas para quem não recorre a crédito”.
Em boa parte dos casos, isso não é uma inevitabilidade – salvo se o imóvel não estiver legalmente habilitado para uso residencial – mas sim o resultado de não se ter trabalhado a componente documental com o devido tempo e critério.
O valor de mercado resulta da dimensão desse mesmo mercado.
Quanto maior o número de compradores elegíveis, maior o potencial de valorização.
Neste caso, o trabalho desenvolvido — para lá da componente comercial — permitiu que o imóvel fosse acessível a um universo mais amplo de interessados.
E isso refletiu-se no resultado final.
Deu mais trabalho? Deu.
Exigiu mais tempo e custos? Exigiu.
Mas agiu-se com critério.
E critério não é recorrer a expressões como “plano de marketing” quando, tantas vezes, não existe uma reflexão real sobre o imóvel, os seus condicionantes e a reação do mercado.
A ideia dominante é que vender exige “conversa”, “lábia” ou “lata”.
Mas promover a venda de um imóvel exige reflexão, bom senso, sensibilidade e cultura de mercado para antecipar obstáculos e oportunidades.
Porque, tantas vezes, estamos a falar da maior transação financeira da vida de alguém.
E aquilo que se exige não é conversa: é critério.
A moradia, localizada perto da bela praia que consta na fotografia, foi vendida cerca de 30% acima da expectativa inicial dos proprietários.
_
AMI 12518
Agent Centric – Mediação Imobiliária, Lda.
josecabral.pt
+351 913 676 915 (Chamada rede móvel nacional)
[email protected]