12/05/2025
Mediação Imobiliária em Portugal.
Precisa de mais regulamentação ou de mais vontade? 🤔
A atividade da mediação imobiliária em Portugal tem vindo a crescer e a profissionalizar-se, mas continua a enfrentar desafios que colocam em causa a sua credibilidade e eficácia. Muitas vezes, quando algo corre mal, seja na relação com o cliente, na transparência dos processos ou na conduta dos profissionais, a primeira resposta institucional parece ser: “É preciso mais regulamentação”. Mas será mesmo esse o caminho?
O setor já é regulamentado. Existem normas claras definidas pelo Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção (IMPIC), regras de licenciamento, obrigações legais e éticas, e mesmo assim continuamos a ver práticas pouco sérias ou situações de conflito. Isto levanta uma questão desconfortável, mas necessária: O problema está na falta de leis ou na falta de vontade em cumpri-las?
Portugal é um país onde a proliferação de leis muitas vezes serve mais para criar a ilusão de controlo do que para resolver os problemas reais. Em vez de aplicar e fiscalizar de forma rigorosa o que já existe, criam-se regras, novos formulários, novos procedimentos, que depois esbarram na mesma inércia. E na mediação imobiliária, isto traduz-se em agentes sem formação prática adequada, contratos mal explicados, expectativas desalinhadas e clientes desinformados.
Mais do que novas regulamentações, o setor precisa de mais vontade, vontade de agir com seriedade, de formar continuamente os profissionais, de promover boas práticas e de exigir responsabilidade a quem representa compradores e vendedores. Precisa de ética aplicada no dia a dia, e de uma cultura de serviço onde o cliente não é apenas uma comissão à espera de ser fechada.
A verdadeira mudança virá não de mais páginas no Diário da República, mas do compromisso dos intervenientes; mediadores, promotores, reguladores e consumidores, em fazer da mediação uma atividade transparente, valorizada e útil à sociedade.
A Mediação é essencial para o mercado Habitacional e para a economia, mas só será respeitada se for levada a sério por todos os intervenientes.
Muito obrigada a todos os parceiros que encontro na atividade, que partilham desta opinião. Diria... que caminhamos juntos!