28/07/2026
O COMPRADOR INVISÍVEL
Há uma coisa estranha na forma como ainda procuramos casa.
Quando alguém descreve a casa onde gostaria de viver, fala de luz, silêncio, privacidade, espaço para os filhos, uma varanda onde caiba uma mesa ou uma divisão onde consiga trabalhar.
Depois entra num portal imobiliário e escolhe preço, localização, tipologia e área.
Em Portugal, o preço máximo é usado em 55,1% das pesquisas e o número de quartos em 42,5%. A área mínima f**a nos 7,7%. Garagem, elevador ou ano de construção quase desaparecem.
Não admira. São os filtros que existem e aqueles que respondem à primeira pergunta de qualquer comprador: o que consigo comprar?
Mas dizem muito pouco sobre outra pergunta: como será viver nesta casa?
É aqui que os LLM podem mudar bastante a pesquisa imobiliária. O comprador deixa de ter de traduzir o que quer para uma grelha de filtros e pode simplesmente escrever: “Quero uma casa com muita luz, sossego, espaço exterior e a menos de 30 minutos do trabalho.”
Isto também mexe com o papel do agente imobiliário.
A parte do trabalho que consiste em procurar anúncios, cruzar o pedido com o inventário e enviar uma lista de imóveis está a tornar-se cada vez mais automatizável.
O valor do agente terá de estar noutro lugar: perceber o que o comprador ainda não conseguiu dizer, gerir a distância entre o que quer e o que pode comprar, identif**ar riscos, negociar e ajudar a tomar uma decisão melhor.
Foi a partir desta ideia que desenvolvemos o novo research da Out of the Box - Real Estate & Finance: O Comprador Invisível.
Um trabalho sobre a distância entre a forma como as pessoas pensam a casa que querem e a forma como o mercado ainda as deixa procurá-la.
Deixamos o artigo (nos comentários) vom acesso ao research completo para quem quiser aprofundar.