13/09/2023
IMPORTÂNCIA DO REFORÇO ESTRUTURAL NA RESISTÊNCIA SÍSMICA DE OBRAS DE REABILITAÇÃO
Os recentes terramotos na Turquia e em Marrocos, que causaram a perda de dezenas de milhares de vidas, recordaram-nos mais uma vez o impacto destas catástrofes naturais nas vidas humanas e sensibilizaram-nos para a qualidade dos edifícios e para a forma como esta deve ser controlada no âmbito das medidas de segurança.
É do conhecimento geral do público português, que grande parte do território nacional se encontra na chamada zona sísmica, onde existem riscos elevados de ocorrência de sismos. De facto, toda a cidade de Lisboa e as suas áreas circundantes, são classificadas como de alto e médio risco sísmico, onde os edifícios antigos até à década de 1960, nas zonas históricas, são considerados especialmente vulneráveis a riscos sísmicos elevados.
O terramoto/tsunami de 1775 em Lisboa, que deixou toda a cidade em ruínas, levou a que, desde então, fossem feitos inúmeros estudos sobre a forma de como os projetos de arquitetura deveriam ser feitos para sobreviver aos terramotos, incluindo a conhecida estrutura " gaiola pombalina" concebida aquando da reconstrução da zona da Baixa, e da reestruturação da cidade, liderada pelo Marquês de Pombal.
Os recentes terramotos na Turquia e em Marrocos, que causaram a perda de dezenas de milhares de vidas, recordaram-nos mais uma vez o impacto destas catástrofes naturais nas vidas humanas e sensibilizaram-nos para a qualidade dos edifícios e para a forma como esta deve ser controlada no âmbito das medidas de segurança.
Uma pergunta natural a fazer seria: Como é que sabemos se as nossas casas são construídas com uma qualidade que lhes permita resistirem a um determinado nível de sismo? Afinal de contas, seria de esperar que a segurança fosse uma das funções mais importantes de um edifício.
Na avaliação fiscal dos imóveis portugueses, o valor baseia-se numa fórmula que tem em conta fatores como a dimensão das áreas interiores e exteriores, a direção do sol, o nível dos pisos, etc. Para nossa surpresa, a qualidade da estrutura relacionada com a zona de risco sísmico, não está incluída na fórmula.
De facto, não é fácil para um proprietário de uma casa em Portugal, ter conhecimento da qualidade estrutural da sua propriedade. Este elemento não é mencionado em nenhum dos documentos oficiais que são apresentados ao comprador perante o notário, para qualquer escritura pública.
Para conhecer a qualidade da estrutura, tendo em conta o quadro jurídico atual, a única abordagem consiste em estudar o projeto estrutural do edifício, com a ajuda de um técnico, para encontrar informações relevantes no documento, incluindo reforços estruturais, materiais especiais e tecnologias aplicadas para o reforço sísmico, etc.
Estas informações não são fáceis de encontrar e interpretar e a autoridade portuguesa não obriga os construtores a tornarem estas informações transparentes e facilmente acessíveis ao público.
Foi apenas em 2019 que o governo português tornou obrigatório que os projetos de reabilitação incluíssem uma "análise estrutural" do edifício existente, sobre se a estrutura do edifício é sólida e, se não for, que tipo de intervenções são necessárias. No entanto, esses estudos são normalmente efetuados sem considerar o reforço sísmico.
Existem, pelo contrário, fatores que impedem os promotores de investir em reforços estruturais, nomeadamente os custos não negligenciáveis das obras estruturais, que podem acrescentar 15% a 35% aos custos totais de construção, bem como o aumento considerável de tempo, que pode representar até 40% do período total de construção. Em comparação com as escolhas de cozinhas e casas de banho vistosas, que podem impressionar os compradores à primeira vista, as obras estruturais, que contribuem substancialmente para a qualidade de um edifício, quase sempre passam despercebidas.
A confusão entre "reabilitação" e "remodelação" traz ainda mais incerteza ao tema, em que estas últimas obras são objeto de falta de acompanhamento técnico e de supervisão, contribuindo para aumentar os riscos de danos sísmicos, em edifícios antigos.
No entanto, todos os projetos de reabilitação da Level Constellation em várias zonas nobres de Lisboa têm vindo a adotar estruturas resistentes a sismos, desde 2014. Trabalhando com alguns dos melhores engenheiros de estruturas do país, incluindo a A2P by Engenheiro João e Vasco Appleton, a Level Constellation tem como objetivo construir condomínios premium modernos que estejam preparados para melhor resistir aos sismos. Alguns destes projetos já se tornaram casos de estudo, sendo reconhecidos pela sua excelência nas soluções, e resultaram inevitavelmente em prémios e nomeações nacionais.
Um exemplo é o empreendimento Ouro Grand (arquiteto CAN RAN, engenheiro de estruturas A2P), localizado na Rua do Ouro, que é um dos primeiros edifícios pombalinos a ser profundamente reabilitado para habitação na zona da Baixa de Lisboa. Dada a complicação dos solos aluvionares/siltosos e dos elevados níveis freáticos, o projeto estrutural adotou um misto de técnicas de reforço com armaduras metálicas e projeção de betão. Um conjunto de micro-estacas de 25 metros de profundidade foi utilizado para suportar o edifício através do pântano sob a Baixa. Para além disso, as fachadas históricas, lajes, pilares e vigas foram mantidos e reforçados para manter o aspeto original do edifício com 250 anos de história. O projeto ganhou o prémio SIL do IMOBILIÁRIO de 2018, na categoria de REABILITAÇÃO URBANA PARA HABITAÇÃO e a Menção Honrosa na categoria de MELHOR INTERVENÇÃO NA CIDADE DE LISBOA do PRÉMIO NACIONAL DE REABILITAÇÃO URBANA DE 2019.
Dois outros grandes exemplos são o Classica (arquiteto Frederico Valsassina, engenheiro estrutural A2P) e o Gloria (arquiteto Fragmentos, engenheiro estrutural Projectual) O primeiro em plena Avenida da República e o outro. localizado junto aos Restauradores/Av. da Liberdade. Os dois projetos são perfeitas montras de obtenção do necessário equilíbrio entre a salvaguarda do património de edifícios históricos e a garantia de condições de habitabilidade, incluindo o reforço estrutural sísmico, através da harmonização de diversos materiais estruturais, incluindo a utilização e reabilitação de madeiras, estruturas metálicas ligeiras e, como tal, o respeito por materiais sustentáveis.