27/07/2018
Lisboa no limite? Venda de casas na capital deve começar a cair este ano.
Começou a notar-se em Setúbal. Foram chegando aos poucos até se tornarem milhares. Na baixa da cidade, investiram milhões e recuperaram dezenas de edifícios. Fizeram do francês a segunda língua oficial do Sado. Provaram que nem só de Lisboa e Porto se faz o Portugal que interessa aos estrangeiros.
Tudo o que fique a menos de 100 km do aeroporto é como se fosse vizinhança. Além de Setúbal, está a aumentar o interesse de compradores internacionais em zonas como Évora ou Santarém.
É este um dos motivos que ajudam a explicar o provável abrandamento na venda de casas que se vai verificar em Lisboa já este ano. “Num raio de 100 km há sítios ótimos e muito baratos, porque o ritmo de crescimento dos preços das casas em Lisboa foi de tal ordem que o resto do país não acompanhou”.
Porque ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos anos, os estrangeiros já não vêm só à procura do luxo. “Esse tipo de procura estabilizou. Está a aumentar a procura por casas que custem menos de 300 mil euros”.
Mas há outra tendência a ganhar forma que já está a afastar os compradores de imóveis da capital. “A oferta é cada vez mais limitada e o que até há pouco tempo era um indício hoje já é uma certeza: as famílias estão a sair do centro das cidades. Para este ano já antecipamos um abrandamento das transações em Lisboa”.
“O abrandamento das transações em Lisboa não significa que o mercado em Portugal esteja em queda. Os portugueses procuram casas na ordem dos 150 mil euros. Querem tipicamente T3 entre os 90 e 120 m2. Por isso estão a deslocar-se para mercados mais periféricos e a abandonar as cidades”.
“A instabilidade a nível legislativo cria muitas dúvidas nos proprietários, que poderiam investir e criar um mercado mais profissional. É preciso mais oferta, mais profissional, com operadores de maior dimensão, com carteiras maiores que potenciem as sinergias de um portfolio grande, baixem o valor das rendas minimizando o risco. E essa procura ia ser totalmente absorvida. Temos cada vez mais jovens, com menos de 30 anos, que preferem arrendar, mas muitos acabam por comprar por causa da prestação mais acessível”.
E não são as mudanças na lei, como as que foram aprovadas na semana passada no parlamento, que vão revolucionar o mercado.