03/10/2026
Se já pensou em tentar vender a casa sozinho primeiro, este texto não é para o convencer do contrário.
A vontade é legítima. Conhece a casa melhor do que ninguém, sabe o que lá investiu e não quer abdicar de um cêntimo sem ter a certeza de que vale a pena.
As três frases do vídeo nascem todas do mesmo sítio: ninguém quer sair de uma venda com a sensação de que perdeu alguma coisa.
Agora pense no que costuma acontecer a seguir à terceira.
Nas primeiras semanas há energia. As fotografias tiram-se num domingo de sol, o anúncio escreve-se à noite, o telemóvel toca. Aparecem contactos. Uns querem mesmo comprar, outros só querem ver, e há sempre quem more ali perto e queira saber quanto pede, para fazer contas à casa dele.
Os sábados passam a ser da casa. Arrumar, abrir a porta, explicar outra vez para onde dá o sol de manhã e fechar a porta sem saber se aquela visita volta.
Com o tempo, os contactos começam a diminuir. A confiança do início não desaparece de um dia para o outro: vai-se gastando, visita a visita.
É por esta altura que chega a mensagem de que falo no vídeo.
Quando chega, a primeira coisa que faço não é falar de preço nem dizer o que teria feito diferente. É perceber o que já aconteceu: quanto tempo esteve à venda, quem a visitou e porque é que essas pessoas não avançaram. A casa não volta ao zero, e o plano também não pode começar no zero.
Estas frases aparecem quase sempre no início, quando ainda não aconteceu nada. É o momento em que se tem mais certeza e menos informação. E é também o único momento em que mudar de ideias não custa nada.
Por isso não me incomoda ouvi-las numa primeira conversa. Prefiro que me diga uma delas logo ali, à mesa, do que perceber meses depois que era isso que estava a pensar. Ouvida a tempo, qualquer uma delas se resolve com uma conversa franca e um estudo de mercado. Sim, esse mesmo da primeira frase.
E se a sua casa já esteve à venda antes, seja de que forma for, também se começa aí.
Diga-me com seriedade, já disse alguma destas frases?