15/09/2025
15 de setembro de 1947.
Um dia singular, específico à sua pluralidade. Que aperto, pai. Essa hora você ainda não me ligou perguntando que horas chego (a única ligação que eu atendia era a sua, sabia? Só pra você saber que eu estava bem e que iria chegar já já). Já passou das onze, ainda não sinto o cheiro de costela, que você colocava no fogo ás seis.
Papai, nenhum amigo ainda ligou perguntando que horas é o seu churrasco. Mamãe ainda não enviou mensagem falando que você está pra lá e pra cá- da sala pro quintal- do quintal pro portão- controlando a ansiedade enquanto eu não chego, nem Toninho, dona Anita, Lígia, Oliveira, Vanda, Thaty, Naildo. A essa hora, pai, não tem nenhum carro na sua rua.
Até hoje, Toto sacaneia que tomou o seu vinho. Zé Guilherme fala de lama nas ruas. Caíque pergunta quando vou fazer aquele motivo com costela que você ensinou. Esses dias o Felipe enviou um vídeo de vocês, felizes a caminho de mocasa. O Paulão não suporta mais em frente à imobiliária e o sabor retrô, e não te ver.
As pessoas não se acostumaram em não te ver. Palavra cruzada, jornal meia hora, cigarro, o ma***to cigarro. Acho que nunca pensei que iria sentir falta do cheiro de cigarro.
Pq era seu. Só seu.
Não tem churrasco, mas, tem memórias. Obrigado, pai. Por tantas! Seu filho tá bem, seu neto, melhor ainda. Vivíssimo dentro de mim (lá ele), sua figura, personalidade, luta pelo bem comum e fé. De dias melhores. A fé que te manteve resiliente por 77 anos.
Que saudades de assistir o Vasco juntos, de ouvir você cantar como um menino tocando uma viola. Eu te prometo pai, que embora doa- e não seja uma dor sofrida, eu serei capaz de comemorar todos os seus aniversários.
Eu te amo, para sempre! ❤️